Pizzuti: Biagi defendia uma flexibilidade 'boa' e não queria eliminar o art.18
Pizzuti esclarece: Biagi defendia uma flexibilidade 'boa' e queria modular, não eliminar, o art.18; ênfase em tutela e negociação coletiva.
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Pizzuti: Biagi defendia uma flexibilidade 'boa' e não queria eliminar o art.18
Roma — Em palestra transmitida durante o evento 'Dentro il futuro' em Turim, o professor Paolo Pizzuti, titular de Direito do Trabalho e Sindical na Universidade do Molise, apresentou um esclarecimento técnico sobre a obra e a intenção de Marco Biagi em matéria laboral. A fala aconteceu na mesa-redonda 'L’eredità di Marco Biagi e il futuro del diritto del lavoro', transmitida pela web TV dos consulenti del lavoro 'Diciottominuti - edizione speciale'.
Segundo Pizzuti, a interpretação corrente sobre as propostas de Biagi nem sempre reflete com precisão o seu projeto. 'Biagi abordou inúmeras temáticas do direito ao trabalho; seus escritos são amplos. Sobre a flexibilidade ele tinha uma visão clara que nem sempre foi fielmente reportada', afirmou o professor, em análise baseada em cruzamento de fontes e apuração documental.
Pizzuti explicou que Biagi não defendia a multiplicação de categorias contratuais nem a criação desenfreada de novos vínculos subordinados. Sua proposta, nas palavras de Pizzuti, procurava estabelecer um núcleo de tutela indisponível para todos os trabalhadores, ao qual poderiam somar-se, em certos casos, salvaguardas adicionais sujeitas à disponibilidade das partes, por meio do instituto da certificação do contrato — referência já evocada pelo presidente De Luca.
O acadêmico destacou que essa concepção permitia uma flexibilidade 'boa', visível por exemplo no contrato a termo, onde Biagi pretendia ampliar as causais então existentes. Pizzuti comentou explicitamente o tema do artigo 18: 'O professor Biagi queria um artigo 18 modulato; não desejava eliminá-lo. Mas não é a única tutela possível — a Corte Constitucional o demonstra: o ressarcimento do dano, assim como a reintegração, é constitucionalmente legítimo'.
O painel também recordou o histórico. No início do evento foi exibido o discurso do jurista no congresso dos consulenti del lavoro, em novembro de 2001, menos de seis meses antes de sua morte: Marco Biagi foi assassinado pelas Brigate Rosse em 19 de março de 2002 — um fato que completou 24 anos nesta data de 2026.
Pizzuti completou o raio-x sobre Biagi destacando três vetores centrais: a defesa da contrattazione collettiva, inclusive descentralizada; a oposição ao que Biagi chamava de 'centralismo regulativo', isto é, a tentativa do legislador de normatizar integralmente o mundo do trabalho; e a preocupação com a proteção dos mais vulneráveis. 'Não é correto dizer que Biagi defendia a precarização', disse Pizzuti, lembrando medidas práticas como o pacto de Milão e o pacto de Modena, em que Biagi inseriu uma causale específica para contratos a termo destinados a trabalhadores extracomunitários.
O balanço do painel, segundo Pizzuti, é de um jurista comprometido com soluções que conciliem segurança jurídica, proteção social e flexibilidade contratual, sem ceder à narrativa simplificadora que associa suas propostas exclusivamente à liberalização do trabalho.
Apuração em Turim e cruzamento de fontes; reportagem de Giulliano Martini, Espresso Italia.


