Relatório AlmaLaurea: quase 7 em 10 diplomados rejeitam trabalhos mal pagos e taxa de ocupação sobe
Relatório AlmaLaurea: 7 em 10 diplomados rejeitam trabalhos mal pagos; taxa de ocupação cresce e persistem gaps salariais e de gênero.
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Relatório AlmaLaurea: quase 7 em 10 diplomados rejeitam trabalhos mal pagos e taxa de ocupação sobe
Apresentado na Universidade degli Studi della Basilicata, o XXVIII Rapporto AlmaLaurea traça um retrato técnico do mercado de trabalho dos recém-formados na Itália: do universo de aproximadamente 700 mil diplomados de 81 universidades, surge um quadro de jovens profissionais mais seletivos — e, em termos gerais, de condições de inserção em melhora. A apuração in loco e o cruzamento de fontes do relatório confirmam tendências claras e persistentes.
O estudo registra um aumento consistente da taxa de ocupação entre os neodiplomados, situada em torno de 80% num ano após a conclusão do curso. A cinco anos do título, a parcela de ocupados eleva-se para 91,7%. Esses números ganham contexto quando confrontados com a disposição dos estudantes: à vigília da formatura, 76,4% afirmam que não aceitarão empregos não coerentes com sua formação — valor inferior ao registrado em 2016 (87,2%), denotando uma alteração no balanço entre expectativa e pragmatismo.
Outra evidência de mudança de postura é a recusa a trabalhos mal pagos. Sete em cada dez estudantes prestes a se formar declaram não aceitar remuneração líquida mensal inferior a 1.500 euros para um emprego de tempo integral — em 2016 esse índice era de 24,4%. Na prática, essa resistência tem correspondência nos rendimentos médios observados: cerca de 1.500 euros líquidos ao mês um ano após a formatura e, cinco anos depois, uma média de 1.903 euros para quem possui título de segundo nível (com diferença de aproximadamente 100 euros a menos para quem detém primeiro nível).
O relatório também aponta limitações estruturais. Um percentual relevante de diplomados não considera úteis, para o mercado de trabalho, as competências adquiridas na universidade: 39,4% entre os titulados de primeiro nível e 32,5% entre os de segundo nível, um indicador que evidencia lacunas entre oferta formativa e exigências profissionais.
Intervenções universitárias mostram impacto mensurável: a participação em iniciativas de orientação ao trabalho, incluindo os estágios curriculares, aumenta em 10,1% a probabilidade de ocupação ao primeiro ano da conclusão e reduz o desalinhamento entre formação e emprego. Para a diretora da AlmaLaurea, Marina Timoteo, o sinal é claro: “o olhar de laureate e laureati sul lavoro è uno sguardo attento e ha precise direzioni sul piano valoriale” — tradução direta dos fatos: os diplomados calibram escolhas profissionais também por critérios valorativos.
Persistem, porém, desigualdades. O gender gap resiste apesar da maioria feminina entre os diplomados (59,6%): em igualdade de condições, os homens apresentam 13,7% mais probabilidade de estarem empregados e, em média, recebem 67 euros líquidos a mais por mês.
O raio-x do relatório mostra um mercado em evolução, com sinais positivos de recuperação salarial e de maior exigência entre os novos profissionais, mas ressalta a necessidade de políticas acadêmicas e de emprego que reduzam disparidades e aumentem a efetividade das transições entre universidade e trabalho. A leitura técnica dos dados indica que aprimorar os serviços de orientação e ampliar as experiências práticas são medidas com retorno direto na empregabilidade.
Giulliano Martini, correspondente da Espresso Italia, reporta com foco em fatos brutos e cruzamento de fontes: o XXVIII Rapporto AlmaLaurea oferece um diagnóstico que deve orientar universidades, empregadores e formuladores de políticas públicas.