Forte dei Marmi em transformação: árabes e russos já controlam cerca de 30 dos 90 bagni
Árabes e russos compraram cerca de 30 dos 90 bagni de Forte dei Marmi; chefs comandam a orla e crescem hotéis cinco estrelas.
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Forte dei Marmi em transformação: árabes e russos já controlam cerca de 30 dos 90 bagni
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: a fisionomia de Forte dei Marmi mudou de forma acelerada nos últimos anos. Na segunda-feira, 18 de maio, o escritor Fabio Genovesi, conhecido por seu livro de 2012 Morte dei marmi, esteve com o empresário Roberto Santini, dono do bagno Piero, ponto de encontro de celebridades. Santini publicou a foto do encontro nas redes sociais com a legenda de agradecimento a Genovesi.
O alerta lançado por Genovesi em 2012 sobre a chegada dos oligarcas russos e a ostentação de riqueza — os “rubli che compravano tutto” —, que já abalara a tradicional Forte dei Marmi, revela-se hoje mais que premonitório. Balneari históricos ouvidos para esta reportagem afirmam que a evolução era prevista, mas foi muito mais rápida do que se imaginava. Em termos práticos: de 90 estabelecimentos balneares da cidade, cerca de um terço — aproximadamente 30 — foram adquiridos nos últimos dois anos por super-ricos, entre magnatas árabes e russos.
Fontes do setor explicam a lógica da venda: proprietários optaram por capitalizar imediatamente, temendo as consequências das mudanças regulatórias previstas pela diretiva Bolkstein, que poderia afetar a renovação de concessões. O efeito prático é a substituição gradual do perfil tradicional dos bagni por empreendimentos concebidos como minicentros de luxo.
Exemplo concreto: no fim de 2025 o bagno Belvedere mudou de mãos. O comprador foi o magnata russo Kurgin Timofey, já proprietário dos bagni Montecristo di Levante e Montecristo di Ponente, além do restaurante La Barca. Entre os balneari mais experientes circula a observação que hoje, na orla, “contano più gli chef dei bagnini”: o público vai à praia para comer e dançar, não apenas para usufruir de areia e mar. Esse reposicionamento altera serviços, horários e clientela.
As novas aquisições são acompanhadas por investimentos em hospitalidade de alto padrão. Magnatas árabes compraram cerca de dez imóveis recentemente para transformá-los em hotéis cinco estrelas, com diárias que podem alcançar 2.500 euros em épocas de pico. No comércio do centro histórico, as bandeiras do luxo proliferam; há relatos de que a chegada da marca Chanel é iminente.
As medidas do prefeito Bruno Murzi — mais limpeza, menos eventos ruidosos e um apelo à sobriedade — entram em choque com a estratégia dos novos proprietários, que planejam replicar formatos de entretenimento de alto impacto semelhantes aos dos clubes exclusivos. O diagnóstico de empresários locais e representantes do setor é unânime: Forte dei Marmi tende a se consolidar como uma espécie de nova Montecarlo italiana.
Quanto às variáveis macroeconômicas — crise, custo de energia, guerra —, entrevistados dizem que afetam sobretudo o turismo de classe média e outras praias da Toscana; o turismo de elite para Forte dei Marmi mostra resiliência. Stefano Giannotti, presidente dos balneari, resume: “Forte mantém o seu appeal. Stanno arrivando tutti, americani in testa. Sarà una grande estate.”
Para completar o quadro, meteorologistas preveem picos de temperatura em torno de 30°C já a partir de domingo, 24 de maio, com ondas de calor de origem africana que devem acelerar a entrada da temporada. Os fatos brutos, cruzados com documentos de venda e depoimentos, indicam uma alteração estrutural do território: mais hotéis cinco estrelas, mais restaurantes comandados por chefs famosos e menos praia como espaço comunitário tradicional.
Conclusão objetivamente apurada: Forte dei Marmi atravessa uma fase de transformação marcada pela internacionalização do capital, alteração do perfil de oferta turística e tensões entre regulação municipal e interesses privados. A cidade que foi refúgio da aristocracia italiana está se recompondo sob a lógica do turismo global de luxo.