Furtos de arte na Itália: os 'grandes golpes' e os casos mais célebres

Raio-x dos maiores furtos de arte na Itália: dos roubos recentes na Magnani Rocca aos mistérios envolvendo Caravaggio e outros ícones.

Furtos de arte na Itália: os 'grandes golpes' e os casos mais célebres

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Furtos de arte na Itália: os 'grandes golpes' e os casos mais célebres

Por Giulliano Martini — A cobertura técnica exige começar pelos fatos brutos: o furto de obras de arte continua a ser manchete na Itália. O país lidera esse tipo de crime em razão do imenso patrimônio cultural que abriga. Estudos recentes indicam que cerca de 600 peças valiosas são subtraídas por ano — aproximadamente duas por dia — e o episódio mais recente confirma essa frequência.

Na manhã de hoje foi comunicado o roubo de três telas de peso internacional: obras de Renoir, Cézanne e Matisse — identificadas como 'Les Poissons', 'Natura morta con ciliegie' e 'Odalisca sulla terrazza' — retiradas da fundação Magnani Rocca, em Mamiano di Traversetolo, Parma. Segundo as primeiras apurações, uma quadrilha conseguiu ingressar na villa da fundação e levar as pinturas. Ainda não há estimativa oficial única para o valor, mas trata-se de um roubo de milhões de euros.

Essas três obras entram numa longa lista de casos que marcaram a história cultural e policial do país. Entre os episódios mais notórios está o desaparecimento da "Natività" de Caravaggio, sem notícias há quase 60 anos. No outono de 1969, homens suspeitos invadiram o oratório de San Lorenzo, em Palermo, enrolaram a tela e fugiram. Há relatos que o furto teria sido encomendado pela mafia, mas falta prova conclusiva. A sorte da tela gerou mitos: versões variam entre estar em um esconderijo mafioso, enterrada em terreno remoto, degradada em uma estrebaria ou exportada para colecionadores na Suíça.

Outros roubos emblemáticos citados pelos arquivos e pela apuração: a tela "Ecce homo" de Antonello da Messina, subtraída do Museo Broletto de Novara em 1974; a "Madonna con Bambino" de Giovanni Bellini, levada da igreja veneziana della Madonna dell'Orto há 33 anos; uma obra de Tiepolo retirada da Santa Maria della Fava em 1993; e, cinco anos depois, uma tela de Canaletto desaparecida do apartamento do industrial Alberto Falk.

Nos anos 90, a Galleria d'Arte Ricci Oddi de Piacenza foi palco do sumiço do "Ritratto di signora" de Gustav Klimt, obra que posteriormente reapareceu e cuja saga alimentou lendas e controvérsias. Também houve investidas que exploraram vulnerabilidades elementares: a retirada de obras como a suposta "La Muta de Raffaello", a "Madonna di Senigallia" e a "Flagellazione de Piero della Francesca" — casos em que os ladrões utilizaram andaimes ou se valeram da ausência de sistemas de alarme para concretizar os roubos.

Um episódio digno de roteiro cinematográfico envolveu um serralheiro de Pesaro: preso depois de investigações, ele não agiu isoladamente e as obras só foram recuperadas quando seus comparsas caíram em armadilhas montadas pelos carabinieri. As telas retornaram ao seu lugar e foram reconduzidas ao acervo — momento que atraiu grande atenção pública e alívio institucional.

Entre os raros desfechos positivos, figura o caso da Gioconda (Mona Lisa), que, embora também tenha sido alvo de furto no passado, terminou por reaparecer e consolidar-se como um dos episódios mais estudados da história dos roubos de arte.

O quadro que emerge desse levantamento é o da persistente fragilidade de proteção do patrimônio cultural frente a organizações criminosas e redes de traficantes — um problema que combina apetite de colecionadores ilegais, falhas de segurança e, por vezes, cumplicidade. A verificação in loco dos relatos, o cruzamento de fontes e o acompanhamento das investigações policiais seguem sendo essenciais para separar mito de realidade e recuperar as obras que ainda permanecem desaparecidas.