Garlasco: no interrogatório, Stasi diz que Chiara nunca falou das 'avance' de Sempio
Interrogatório de 20/05/2025: Stasi afirma que Chiara não falou sobre as chamadas de Sempio; investigação reavalia DNA, impressão 33 e scontrino.
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Garlasco: no interrogatório, Stasi diz que Chiara nunca falou das 'avance' de Sempio
Por Giulliano Martini - Correspondente Espresso Italia. Em apuração direta aos autos e ao interrogatório datado de 20 de maio de 2025, Alberto Stasi reafirmou que a namorada, Chiara Poggi, nunca lhe comentou sobre supostas investidas de Andrea Sempio nem sobre as três chamadas ocorridas entre 7 e 8 de agosto de 2007 — uma delas de 21 segundos — apontadas pela Procuradoria como elemento probatório no caso do homicídio em Garlasco.
O depoimento foi prestado diante do procurador Fabio Napoleone, com Stasi acompanhado pelos advogados Giada Bocellari e Antonio De Rensis. O interrogatório integra nova fase de investigação que, conforme admitido pelos investigadores, se originou a partir de perícias técnicas solicitadas pela defesa do condenado, atualmente em fase final de cumprimento de pena de 16 anos.
No documento ao qual tive acesso, Stasi detalha que jamais havia visto ou ouvido falar de Andrea Sempio antes das informações testemunhais (sit) apresentadas nos autos. "Nunca o tinha visto, nunca o tinha ouvido, confirmo que antes de ler aquelas sit eu nem sequer sabia que existia uma pessoa chamada Andrea Sempio", declarou.
A nova instrução questiona elementos técnicos e circunstanciais: o DNA encontrado sob as unhas da vítima, a chamada "impronta 33", além de escritos apreendidos que, segundo a acusação, revelariam uma atenção considerada "morbosa" por parte de quem os produziu. São pontos que a Procuradoria de Pavia enumerou no interrogatório, item por item, buscando confrontar explicações e timelines trazidas pela defesa.
Sobre as três chamadas reivindicadas como indício, Stasi foi categórico: "Não... não me l'ha riferito... non l'ha fatto" — "Não... ela não me contou... ela não o fez", conforme transcrição. Em seguida, tentou contextualizar a ausência de comunicação: "Se naquele momento ela tivesse considerado importante, talvez me tivesse dito; ou talvez estivesse distraída por outros motivos". O raciocínio do réu, hoje com 42 anos, foi registrado ao pé do autógrafo como tentativa de explicar a falta de informação, mas sem atribuir qualquer responsabilidade a terceiros.
A imagem que Stasi devolveu do relacionamento com Chiara Poggi — união de quatro anos à época do crime — foi a de uma rotina marcada por previsibilidade: trabalho, retorno a casa, vida familiar. "Era uma ragazza semplice, muito marcada por rotina, sem imprevistos", disse o interrogado.
Stasi disse ainda que a única peça processual que o deixou intrigado foi o chamado "scontrino" — o comprovante de estacionamento — que lhe suscitou estranhamento após a leitura dos documentos juntados pela defesa e pela investigação. "Normalmente não guardo um comprovante de estacionamento por anos e o mostro quando necessário; isso me deixou um pouco surpreso", relatou.
O novo inquérito seguirá cruzando perícias biológicas, confrontos de impressões digitais e reavaliação das declarações testemunhais. A instância atual concentra-se em checar a consistência dos apontamentos técnicos e a correlação entre vestígios e versões, sem prejuízo das medidas cautelares ou de produção de prova que venham a ser requeridas pela acusação ou pela defesa.
Relato direto dos autos, com cruzamento de fontes e preservação estrita dos fatos. A apuração continua.