Geração Z ressignifica as emojis: dicionário revela nova gramática digital
Estudo com 696 jovens mostra como a Geração Z ressignifica emojis e cria uma gramática própria na linguagem digital.
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Geração Z ressignifica as emojis: dicionário revela nova gramática digital
Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes. Um levantamento conduzido por estudantes do curso de "Linguística e galateo digitale" da Universidade LUMSA, realizado no âmbito da Jornada Mundial das Emoji, revela que a Geração Z vem construindo uma linguagem digital própria, baseada em símbolos com significados compartilhados e constantes reinterpretações.
A pesquisa ouviu 696 jovens entre 18 e 25 anos e resultou na elaboração de um verdadeiro dicionário das ícones mais utilizadas nas conversas por mensagem. O levantamento documenta, com números brutos, como esses sinais funcionam como elementos de uma gramática entre pares: apenas 5,7% dos entrevistados declaram ter sido frequentemente mal interpretados por causa de uma emoji enviada. Mais de seis em cada dez afirmam usar esses símbolos para tornar as mensagens mais amáveis e para expressar emoções e estados de ânimo.
Um exemplo paradigmático citado no estudo é a caveira. Enquanto gerações mais velhas a associam diretamente à morte, os jovens a empregam predominantemente como hipérbole de humor — equivalente a "morro de rir". Esse fenômeno de ressemantização aparece em vários sinais: os corações mudam de valor conforme a cor — azul para confiança e amizade, roxo para vínculos profundos, cinza para situações mais complexas ou ambíguas.
O levantamento também confronta estereótipos. Ao contrário da imagem de jovens que saturam as conversas com ícones, 76,4% dos participantes relatam utilizar menos de 20 emojis por dia. A face que ri continua sendo a mais popular, seguida pelo coração vermelho. Outro achado relevante aponta o uso das imagens como atenuadores do discurso: 70,5% dizem preferir substituir palavrões e insultos por símbolos gráficos, transformando o potencial agressivo em eufemismo sem perder a expressividade.
Do ponto de vista sociolinguístico, os dados confirmam que, para a Geração Z, esses sinais não são acessórios estéticos, mas instrumentos de coesão social. Eles desempenham papel na definição de identidade, pertencimento e nas dinâmicas de relacionamento entre pares. A presença de um dicionário produzido em contexto acadêmico reforça a existência de códigos compartilhados, mesmo quando esses códigos são fluidos e em constante atualização.
Metodologicamente, o estudo — de caráter descritivo e baseado em amostragem entre jovens universitários — fornece um raio‑x do uso contemporâneo de emojis nas conversas informais. A apuração indica que a compreensão entre interlocutores da mesma faixa etária é alta, reduzindo ruídos na comunicação digital. Ainda assim, permanece uma lacuna intergeracional: muitos significados ressignificados pela Geração Z passam despercebidos por quem não pertence a esse grupo etário.
Conclusão direta: as emojis evoluem de simples ornamentos para componentes de uma linguagem digital com regras tácitas. Registrar essas transformações, por meio de dicionários e estudos acadêmicos, é essencial para mapear a mudança das práticas comunicativas no espaço digital. Em sintonia com a natureza mutável dos símbolos, o dicionário produzido pelos estudantes da LUMSA oferece uma fotografia — em movimento — do vocabulário afetivo da juventude contemporânea.