Gerente da Caddell permanece em silêncio diante do juiz após prisão por suposto trabalho escravo no novo consulado dos EUA em Milão

Gerente da Caddell detido em Milão permanece em silêncio, investigado por possível trabalho escravo e intermediação ilícita no novo consulado dos EUA.

Gerente da Caddell permanece em silêncio diante do juiz após prisão por suposto trabalho escravo no novo consulado dos EUA em Milão

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Gerente da Caddell permanece em silêncio diante do juiz após prisão por suposto trabalho escravo no novo consulado dos EUA em Milão

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes indicam que Ulas Demir, gerente da filial italiana da americana Caddell Construction Co., optou por permanecer em silêncio durante o depoimento ao juiz de instrução em Bergamo. O executivo foi detido depois de controle em aeroporto e é alvo de investigação da Procuradoria de Milão por suspeitas de intermediação ilícita e exploração de trabalhadores no canteiro do novo consulado dos Estados Unidos em Milão.

Segundo o relato do interrogatório, o indiciado utilizou a faculdade de não responder às perguntas do juiz, limitando-se a declarações espontâneas nas quais alegou não ter tentado obstruir as investigações e afirmou que não havia nenhum impedimento formal para deixar o país quando foi parado no aeroporto de Orio al Serio, enquanto se preparava para embarcar rumo a Istambul.

O caso decorre de vistorias realizadas no canteiro de obras em 29 de maio, que teriam constatado "numerosas violações". Em seguida, interceptações telefônicas atribuídas à investigação teriam registrado, segundo os magistrados, indícios de uma "clara intenção de fuga" por parte do gerente — informação que motivou a prisão preventiva e a apreensão de bilhete aéreo comprado no dia seguinte à inspeção.

As apurações apontam para condições de trabalho descritas pelos investigadores como uma forma de para-escravidão. Trabalhadores recrutados na Índia pela empresa Dynamic House, com sede em Nova Déli, teriam sido contratados para atuar na obra pagando adiantamentos e taxas a intermediários no país de origem — citam-se valores de aproximadamente 4.500 euros — e, já em território italiano, recebendo menos de três euros por hora.

Fontes do inquérito detalham que, para jornadas de 10 a 12 horas diárias, seis dias por semana, os operários recebiam entre 1.200 e 1.500 euros mensais, dos quais eram descontados quase 900 euros para custear alimentação e alojamento. Trabalhos assinados sob papéis em língua que os trabalhadores não compreendiam, ameaças de demissão e retorno forçado ao país de origem, além de relatos de agressões e insultos, integram o quadro de irregularidades descrito no procedimento.

Na sexta-feira, a Procuradoria, representada pela promotora Raffaella Latorraca, pediu ao juiz a convalidação do ato de prisão e a imposição de custódia cautelar em prisão para Demir, além de solicitar medidas de controle judicial urgentes contra a empresa estrangeira envolvida no contrato de construção.

O processo segue com o cruzamento de documentos contratuais, depoimentos de trabalhadores e análise das comunicações interceptadas. A investigação busca determinar o alcance das responsabilidades da empreiteira americana e de seus gestores locais na cadeia de recrutamento e na gestão do canteiro. O juiz analisará nas próximas horas os pedidos da acusação e decidirá sobre a manutenção da prisão e medidas cautelares contra a empresa.

Esta reportagem preserva os fatos apurados e evita conclusões antecipadas até eventual decisão judicial. A Espresso Italia permanece em acompanhamento contínuo, com contato direto com fontes judiciais e trabalhistas para atualização imediata do caso.