Gettonisti ainda atuam em 54% dos prontos-socorros; quadro de burnout empurra médicos ao pré-aposentadoria, privado e exterior

Pesquisa da Fadoi revela gettonisti em 54,8% dos prontos-socorros; burnout leva médicos ao prepensionamento, privado ou exterior.

Gettonisti ainda atuam em 54% dos prontos-socorros; quadro de burnout empurra médicos ao pré-aposentadoria, privado e exterior

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Gettonisti ainda atuam em 54% dos prontos-socorros; quadro de burnout empurra médicos ao pré-aposentadoria, privado e exterior

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: três anos após o decreto que visava encerrar o modelo, os médicos gettonisti permanecem presentes em mais da metade dos prontos-socorros italianos. É o retrato cru revelado por pesquisa da Federação dos Médicos Internistas Hospitalares (Fadoi), apresentada no congresso nacional em Rimini, que mapeou a situação em todas as regiões — exceto Basilicata e Vale d'Aosta — e detalhou um quadro de desgaste profissional e risco assistencial.

O Decreto‑Lei 34/2023 delimitou o uso dos gettonisti, autorizando sua contratação apenas de forma temporária e excepcional, com medidas progressivas para eliminar contratos via cooperativas e vedar novas formas de externalização não justificadas. Nos setores de Unidades de Medicina Interna, menos de 20% das estruturas ainda recorrem a essa fórmula. No entanto, quando a lupa é posta sobre os Prontos-socorros, onde muitos internistas atuam, o recurso a externalizações permanece em 54,8% das unidades — frequentemente sem especialização adequada e sem afinação com as equipes hospitalares.

Essa dependência de profissionais contratados por sessão é identificada pelos próprios médicos como sinal claro de falta de pessoal, um problema apontado como prioridade por mais de 57% dos entrevistados. Em videocollegamento ao congresso, o ministro da Saúde, Orazio Schillaci, afirmou que o governo já adotou medidas e anunciou intensificação dos controles pelos NAS: “Intervimos com regras claras e aumentamos as indenizações de quem trabalha no Pronto-socorro para reduzir o fenômeno. Já houve inspeções dos NAS e haverá novas verificações”, declarou.

Ao mesmo tempo, cresce o mal-estar entre os profissionais. A pesquisa mostra que 65% dos médicos relataram ter vivido quadro de burnout ao menos uma vez na carreira. Sete em cada dez avaliavam as condições de trabalho em piora, e esse cenário alimenta decisões que poderão reduzir a força de trabalho do Sistema de Saúde Nacional: 26,4% pensam em prepensionamento (aposentadoria antecipada), 20,2% cogitam migrar para o setor privado e 10,1% consideram emigrar para trabalhar no exterior.

O impacto do burnout não é apenas subjetivo. Estudo da Johns Hopkins University School of Medicine citado no congresso aponta que 36% dos médicos em burnout cometem pelo menos um erro grave por ano. Projetada sobre os números italianos, essa taxa equivaleria a cerca de 20 mil erros graves atribuíveis a médicos e mais de 70 mil erros envolvendo profissionais de enfermagem, totalizando perto de 100 mil eventos adversos por ano — um sinal de alerta para a segurança do paciente.

O diagnóstico traçado pela Fadoi combina vários vetores: precariedade de vínculos, insuficiência de pessoal, desgaste emocional e remuneração insuficiente em relação às exigências do serviço. Esses elementos, analisados em conjunto e com dados brutos cruzados, descrevem a razão pela qual uma parcela significativa do corpo médico contempla deixar o serviço público em curto prazo.

Conclusão factual: a erradicação legislativa dos gettonisti avançou em setores como Medicina Interna, mas permanece resistente nos Prontos-socorros, onde a carência de profissionais e o aumento do burnout atuam como forças que corroem a capacidade do Sistema de Saúde. Medidas de fiscalização e incentivos financeiros foram anunciadas, mas, no terreno, a percepção de deterioração das condições de trabalho sustenta intenções de prepensionamento, migração ao privado ou saída para o exterior.

Fatos brutos, sem ruído: o país segue com um problema estrutural que exige intervenções coordenadas entre formação, contratação e vigilância regulatória para evitar o esvaziamento progressivo da assistência pública.