Gino Paoli: os grandes amores por trás de "Senza Fine"
Perfil dos grandes amores de Gino Paoli e a história por trás de 'Senza Fine' — relações, escândalos e parcerias musicais que marcaram sua vida.
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Gino Paoli: os grandes amores por trás de "Senza Fine"
Gino Paoli, falecido aos 91 anos, deixa um legado musical reconhecido por canções que atravessaram gerações e por relações afetivas que marcaram a vida pública do cantor e compositor. Esta reportagem traz o raio-x das relações pessoais que acompanharam sua trajetória artística, com apuração e cruzamento de fontes para resgatar fatos comprovados: casamentos, escândalos da época, parcerias artísticas e a longevidade de vínculos que sobreviveram ao tempo.
O primeiro casamento de Gino Paoli foi com Anna Fabbri, com quem se conheceu em 1954 e se casou em 1957. Nos anos 1960, quando Paoli já se apresentava em casas de espetáculo como a Bussola de Viareggio e vivia um período de grande visibilidade, relatos da época apontam que Anna Fabbri tolerava as infidelidades do marido. Esses elementos constam em entrevistas e reportagens de arquivo, que documentam a dinâmica privada de um artista cuja vida sentimental era acompanhada pelo público.
O episódio que gerou maior escândalo ocorreu em 1961, quando a então jovem Stefania Sandrelli, Miss Viareggio, foi à Bussola para ouvir Paoli no dia de seu 15º aniversário. Entre os dois nasceu uma paixão intensa, apesar de Gino Paoli ser casado. Em 1964 vieram ao mundo, a poucos meses de diferença, Giovanni — filho de Anna Fabbri — e Amanda — filha de Stefania Sandrelli, que passou a usar o sobrenome materno. Naquele contexto histórico, num país que ainda não admitia o divórcio, a situação familiar gerou atenção da imprensa e tensão pública.
A relação com Stefania Sandrelli é narrada por ela como uma paixão irrefreável. Fontes de arquivo e reportagens indicam que o affair terminou depois de um confronto entre Anna Fabbri e a rival, episódio citado em coberturas jornalísticas da época e em memórias posteriores.
Paralelamente ao conturbado episódio, Gino Paoli desenvolveu um laço profissional e afetivo com Ornella Vanoni. Os dois se conheceram em 1960; Paoli compôs para ela, abrindo um importante capítulo de cooperação artística. Em 1961 nasceu Senza Fine, canção cuja inspiração, segundo relatos da própria Vanoni, veio das mãos da cantora: "Mani grandi, mani senza fine / non hai ieri, non hai domani". O relacionamento entre Gino Paoli e Ornella Vanoni foi descrito como irregular, complexo e sem contornos rígidos; ainda assim, mesmo após o término do vínculo romântico, ambos continuaram a subir aos mesmos palcos, mantendo uma parceria artística profícua ao longo das décadas.
Na fase de maturidade, Gino Paoli encontrou uma estabilidade afetiva com Paola Penzo, compositora de algumas de suas canções e sua segunda esposa. Casaram-se em 1991 e constituíram família: são pais de Nicolò, Tommaso e Francesco. Paola Penzo é mencionada como referência afetiva e profissional decisiva na vida de Paoli nos anos posteriores.
Detalhes desses episódios foram reconstituídos a partir de arquivos de imprensa, entrevistas e do serviço jornalístico do Tg1, que compilou material biográfico e depoimentos. A sequência de relacionamentos reflete a vida de um artista cuja obra e vida privada estiveram entrelaçadas — uma narrativa que ajudou a formar a imagem pública de Gino Paoli e de canções que, como Senza Fine, se tornaram parte do repertório cultural do país.
O levantamento reforça a importância de preservar fontes e documentos: fotos de apresentação na Bussola di Viareggio, registros de nascimento e reportagens da época constituem o fio condutor desta reconstrução factual. Sem floreios, o que permanece é a obra e os vínculos humanos que a sustentaram.