Alerta por hepatite A na Campânia: 150 casos, 51 internados e proibição de frutos do mar crus em Nápoles

Surto de hepatite A na Campânia: 150 casos, 51 internados; proibição de frutos do mar crus em Nápoles e reforço de controles sanitários.

Alerta por hepatite A na Campânia: 150 casos, 51 internados e proibição de frutos do mar crus em Nápoles

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Alerta por hepatite A na Campânia: 150 casos, 51 internados e proibição de frutos do mar crus em Nápoles

Por Giulliano Martini — A Campânia enfrenta um aumento significativo de casos de hepatite A. Dados oficiais reunidos por autoridades sanitárias apontam 150 casos desde o início do ano, com 51 pacientes atualmente internados, segundo levantamento do hospital Cotugno, referência em doenças infecciosas em Nápoles.

O prefeito de Nápoles, Gaetano Manfredi, assinou uma ordinanza municipal em resposta ao alerta do Dipartimento di Prevenzione, que detectou uma difusão do vírus superior a 10 vezes em relação à média dos últimos dez anos e 41 vezes em relação ao último triennio. A medida determina o banimento absoluto da somministrazione e consumo de frutti di mare crudi em todos os estabelecimentos públicos da cidade, incluindo pequenas atividades com consumo local e unidades de produção para consumo imediato. A população foi ainda recomendada a evitar o consumo de frutos do mar crus em casa.

Em paralelo, a Região Campânia intensificou os controles sobre a cadeia produtiva dos molluschi bivalvi, apontados como possível fonte do surto. A hipótese atualmente mais plausível, com base em investigações epidemiológicas preliminares, é a ligação entre o surto e o consumo de moluscos e peixes crus.

Entre os casos mais graves há um homem de 46 anos que precisará ser transferido para o hospital Cardarelli, porque deverá submeter-se a um transplante. Apesar desse caso, os especialistas do Cotugno, representados pelo responsável do pronto-socorro infettivologico e pneumologico, Dr. Raffaele Di Sarno, informaram em coletiva que a maioria dos internados tem idade média entre 30 e 40 anos e apresenta formas não complicadas da doença. "No momento, não se pode falar de epidemia no sentido estrito", afirmou Di Sarno, explicando que o período pós-natalino costuma registrar um aumento de casos por hábitos alimentares, mas ressaltou que os números atuais são atípicos e superiores à norma.

O Instituto Superiore di Sanità (ISS) esclarece que o agente causal é o vírus da epatite A (HAV), um picornavírus do gênero Hepatovirus. O período de incubação varia de 15 a 50 dias. A doença costuma ser autolimitada e benigna, com alta frequência de formas assintomáticas — especialmente em surtos e em crianças —, mas pode evoluir para quadros graves ou mesmo forma fulminante. A letalidade geral situa-se entre 0,1% e 0,3%, podendo atingir até 1,8% em adultos acima de 50 anos.

Clinicamente, a epatite A manifesta-se habitualmente por febre, mal-estar, náusea, dores abdominais, icterícia e elevação das transaminases. O curso típico dura uma a duas semanas, mas variações são possíveis conforme a gravidade e a condição do paciente.

As autoridades de saúde locais vêm reforçando o apelo à vacinação para contatos e grupos de risco, particularmente em lares onde já exista um caso confirmado, além de intensificarem vigilância laboratorial e medidas de rastreio. Investigações em curso procuram identificar cadeias de transmissão e lotes específicos de moluscos que possam ter sido contaminados.

Relatos hospitalares e determinações administrativas marcam a reação imediata das instituições: proibição do consumo em estabelecimentos, fiscalização da cadeia de fornecimento e recomendação direta à população. A abordagem segue o critério da precaução e a necessidade de interromper potenciais vetores alimentares do vírus.

Atualizações serão publicadas à medida que novas informações laboratoriais e epidemiológicas se confirmem. A apuração em campo e o cruzamento de fontes permanecem em curso para oferecer o quadro mais preciso e verificável aos leitores.