Inquérito sobre árbitros atinge apenas profissionais da arbitragem; Inter e dirigentes fora da investigação
Inquérito da procura de Milão atinge apenas árbitros; Inter e dirigentes não são investigados. Verificações em 4-5 partidas da última temporada.
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Inquérito sobre árbitros atinge apenas profissionais da arbitragem; Inter e dirigentes fora da investigação
Milão — O inquérito da procura de Milão que vem abalando o cenário do futebol italiano incide exclusivamente sobre o universo dos árbitros e não envolve clubes nem dirigentes da atual temporada. Fontes judiciais informam que as verificações dizem respeito a cerca de quatro a cinco partidas da última temporada.
Até o momento, são formalmente indagados cinco profissionais ligados à arbitragem: o designador que se autosuspendeu, Gianluca Rocchi, o supervisor também autosuspenso Andrea Gervasoni, o assistente Daniele Paterna e, na Sala VAR, os assistentes Rodolfo Di Vuolo e Luigi Nasca. Fontes da investigação confirmam que há ainda outros assistentes do VAR sob apuração, cujas identidades não foram tornadas públicas.
É categórico o posicionamento das autoridades: a sociedade Inter e seus dirigentes não estão entre os alvos da investigação. A linha de apuração concentra-se nas rotinas de designação e eventual conduta individual de árbitros e auxiliares, enquadrada pelos promotores como possível atuação em concorso para influenciar escolhas de árbitros em confrontos apontados como favoráveis a determinada equipe.
Em contato exclusivo, o advogado de Gianluca Rocchi, Antonio D'Avirro, declarou que seu cliente se sente vítima de uma injustiça e está "demoralizado", por entender que as contestações são infundadas. D'Avirro adiantou que a defesa está avaliando medidas perante a convocação marcada para 30 de abril e disse não haver, até agora, elementos que permitam traçar um paralelo direto com o episódio histórico do Calciopoli: "Ali havia centenas de pessoas e uma dezena de clubes; aqui, fala-se de duas ou três pessoas", afirmou.
Fontes jurídicas ressaltam que a comunicação de aditamento ou menção a terceiros no aviso de investigação não implica, por si só, a existência de um procedimento amplo contra clubes ou dirigentes. A apuração foca designações específicas e em possíveis irregularidades na sala do VAR e nas escolhas dos quadros arbitrais para essas partidas.
A AIA (Associação Italiana de Árbitros) divulgou nota em que expressa "rammarico" pelo teor das notícias veiculadas e anuncia que o Comitê Nacional deliberará medidas para assegurar a continuidade técnica da Comissão responsável pela designação. Segundo a entidade, o presidente Antonio Zappi enviou a documentação recebida à Procura Federal da FIGC e tomou conhecimento da arquivação do procedimento no âmbito esportivo, conforme consta na nota oficial.
Além disso, a AIA recordou a entrada em vigor, em 1º de julho de 2025, do novo regulamento técnico que permite ao responsável da CAN, por turno de jogos em Serie A e Serie B e em outras competições com VAR, designar um supervisor entre os membros da comissão, conforme a avaliação técnica deste responsável. A mudança regulamentar visa maior flexibilidade operacional nas designações, tema que ganha relevância diante das atuais apurações.
Os investigadores mantêm cautela sobre o andamento do inquérito e não descartam que novas convocações e indiciamentos possam ocorrer conforme o cruzamento de dados e as oitivas avancem. A investigação limita-se, por ora, ao ambiente da arbitragem, enquanto clubes e dirigentes citados em especulações externas permanecem fora do quadro formal de indiciamento.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e atenção aos documentos oficiais continuam sendo os pilares desta cobertura. Giulliano Martini, correspondente da Espresso Italia em Milão, acompanha o desdobrar das investigações com foco na precisão dos fatos.