Procuradoria de Milão ouve testemunhas da Lega Calcio em inquérito sobre possível fraude esportiva envolvendo árbitros
Procuradoria de Milão ouve testemunhas da Lega Calcio em inquérito sobre suposta fraude esportiva envolvendo árbitros e a Sala Var de Lissone.
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Procuradoria de Milão ouve testemunhas da Lega Calcio em inquérito sobre possível fraude esportiva envolvendo árbitros
Procuradoria de Milão prossegue investigação sobre suposta frode sportiva envolvendo nomeações e interferências na arbitragem. Nos próximos dias serão ouvidos como testemunhas alguns representantes da Lega Calcio, entre eles membros ligados a clubes — identidade e datas das convocações ainda não foram divulgadas.
O novo desdobramento amplia um inquérito que permanece com pontos sensíveis a esclarecer. No centro da apuração está a hipótese da contropartita, termo jurídico que os investigadores buscam traduzir em prova: a norma visada descreve o crime quando um participante da competição “aceita dinheiro ou outra utilità o vantaggio o ne accoglie la promessa”. Para avançar é necessária a demonstração concreta do benefício obtido pelo indagado.
O protagonista da investigação, o designador que se auto-suspendeu, Gianluca Rocchi, aparece no inquérito em função de intercorrências e diálogos que, segundo promotores, podem apontar interferências nas nomeações. Investigadores relatam que, apesar de haver vários riscontri documentais e testemunhais — “chegano al ritmo di due al giorno” — ainda falta a chamada “pistola fumante” que conecte de forma inequívoca atos e vantagem pessoal.
Uma pista explorada pelos investigadores é a possibilidade de que Rocchi tivesse recebido apoio da cúpula da FIGC para ser reconfirmado como designador pela AIA. Essa linha, porém, permanece teórica e carece de fundamentação jurídica sólida para configurar o benefício previsto na norma sobre fraude esportiva.
Outro foco do inquérito são as supostas interferências na Sala Var de Lissone. Testemunhos e elementos técnicos chegaram à Procuradoria, incluindo relatos de trabalhadores da empresa responsável pelo sistema de rastreamento de vídeo do Var.
As interceptações telefônicas autorizadas pela juíza Anna Calabi foram conduzidas por cerca de quatro meses e, nas palavras de fontes ligadas ao caso, foram “cirúrgicas”: direcionadas a demonstrar o crime em investigação. Em dois despachos a magistrada fundamentou positivamente as escutas, mas em seguida negou a prorrogação quando as tentativas de identificar o referido “loro” — termo citado em conversas entre Andrea Gervano e Gianluca Rocchi — se mostraram infrutíferas.
O pronome “loro” é central para a narrativa que está sendo investigada: a referência é a pessoas que, em 2 de abril de 2025, em San Siro, teriam pressionado para inserir figuras arbitrali “gradite all'Inter” com vistas à final da Coppa Italia e ao sprint final do campeonato, etapa posteriormente vencida pelo Napoli. A expressão, contudo, ainda não foi sustentada por elementos capazes de identificar as pessoas mencionadas.
Além de dirigentes, nos meses passados foram ouvidos como pessoas informadas dos fatos jornalistas esportivos e técnicos ligados à tecnologia da Sala Var. A Procuradoria mantém o inquérito em andamento; fontes indicam que novas convocações e análises técnicas podem surgir nos próximos dias, enquanto os investigadores seguem o princípio do cruzamento de fontes e da apuração pautada por fatos brutos. A realidade traduzida pelo processo permanece em construção.