Itália inicia controles após suspensão do Schengen com Espanha: o que muda e por quanto tempo
Itália reintroduz controles após suspensão do Schengen com Espanha; medidas visam terceiros países e valem por um mês a partir de 1º de agosto.
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Itália inicia controles após suspensão do Schengen com Espanha: o que muda e por quanto tempo
Por Giulliano Martini — Em resposta ao êxodo massivo que atingiu Ceuta, o governo italiano reinstaurou, a partir de 1º de agosto, os primeiros controles nas entradas provenientes da Espanha. A medida, anunciada como temporária, provoca reação de Madri e deflagra um movimento diplomático em Bruxelas sobre a gestão das fronteiras externas da UE.
Em ação operacional, as verificações começaram nos aeroportos de Malpensa e Linate. A concessionária SEA, responsável pelos terminais, e a Polícia Aeroportuária relatam que, "no momento, não se registram criticidades". Fontes do Viminale esclarecem que os controlos aéreos e marítimos não afetarão os deslocamentos de cidadãos espanhóis e europeus, que continuam a entrar na Itália sem formalidades adicionais, conforme as regras correntes do Espaço Schengen.
A decisão de Roma foi tomada após a chegada de milhares de migrantes vindos do Marrocos a Ceuta. A primeira-ministra Giorgia Meloni descreveu a medida como "extraordinária, adotada para salvaguardar a segurança nacional" e para "limitar qualquer impacto sobre os fluxos turísticos de verão". Segundo o ministério do Interior, os controlos serão seletivos: visam exclusivamente cidadãos de países terceiros (fora da UE) que desembarcarem na Itália a partir da Espanha, para verificar a regularidade de sua entrada. A vigência prevista é de um mês a contar de 1º de agosto.
Do lado espanhol, a reação do presidente Pedro Sánchez foi dura. Em declarações públicas, o premiê acusou Roma de agir por "ignorância", motivada por "interesses políticos" e por "preconceitos", palavras que intensificaram o atrito bilateral. A controvérsia será um dos temas centrais na agenda comunitária nas próximas horas.
Paralelamente, Roma e Copenhague estão pressionando em bloco nas instâncias comunitárias: um documento conjunto assinado por 22 Estados-membros foi remetido a Bruxelas, solicitando uma ação coordenada para reforçar as fronteiras externas e combater a imigração irregular. Esse será o cerne da reunião — por videoconferência — dos ministros da Justiça e dos Assuntos Internos da UE, agendada para a próxima terça-feira.
Contexto jurídico: o tratado de Schengen, firmado em 14 de junho de 1985 — a bordo do barco "Maria-Astrid" atracado na Mosela, em Luxemburgo — promoveu a gradual eliminação dos controles internos e a adoção de regras comuns para as fronteiras externas. Hoje, o Espaço Schengen permite que mais de 450 milhões de pessoas circulem sem controlos de identidade nas fronteiras internas.
O Código de Fronteiras Schengen prevê, contudo, a possibilidade de restabelecimento temporário de controlos internos em "circunstâncias excecionais" que representem uma ameaça grave à ordem pública ou à segurança interna. Casos recentes de reintrodução de controlos ocorreram entre 2020 e 2022 no contexto da pandemia de Covid-19 e, em 2015, na sequência de atentados terroristas e do aumento substancial dos fluxos migratórios.
Este episódio confirma a tensão entre liberdade de circulação e prerrogativas nacionais de segurança: fatos brutos que exigem, no imediato, apuração e coordenação entre os parceiros europeus. A realidade traduzida aponta para uma escalada diplomática e operacional que poderá ter desdobramentos nas próximas semanas, caso não se alcance um entendimento coletivo em Bruxelas.