Do tabagismo na gravidez ao uso excessivo de telas: prática preventiva ainda fora de alcance na Itália

Relatório 0-2 anos: melhorias na gravidez, mas Itália ainda registra falhas em ácido fólico, tabagismo, telas e apoio pós-parto.

Do tabagismo na gravidez ao uso excessivo de telas: prática preventiva ainda fora de alcance na Itália

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Do tabagismo na gravidez ao uso excessivo de telas: prática preventiva ainda fora de alcance na Itália

Por Giulliano Martini — Dados recentes da Sorveglianza Bambine e Bambini 0-2 anni, promovida pelo Ministério da Saúde e coordenada pelo ISS, apontam avanços pontuais nos comportamentos familiares durante a gravidez e nos primeiros dois anos de vida, mas também evidenciam lacunas persistentes que comprometem a saúde infantil. A investigação, resultado de cruzamento de dados entre Regiões, revela desigualdades territoriais e sociais marcantes, com pior desempenho no Sul do país.

O levantamento mostra sinais encorajadores: diminuiu o número de mulheres que relatam fumar na gravidez ou consumir álcool durante a gestação. Ainda assim, importantes práticas preventivas permanecem insuficientes. Chama atenção a baixa adesão à suplementação adequada de ácido fólico no período preconcepcional e inicial da gestação — um pilar reconhecido da prevenção de malformações do tubo neural.

No conjunto das Regiões monitoradas, 93,2% das mães relataram ter tomado ácido fólico durante a gestação, porém apenas 35,4% o fizeram de forma considerada apropriada, isto é, antes da concepção e nas primeiras semanas. A variação regional é pronunciada: a adesão apropriada oscila de 24,6% na Campânia a 44,4% no Vêneto, com taxas mais altas no Norte em comparação ao Sul. Esses números traduzem uma perda significativa do efeito preventivo do suplemento quando iniciado tardiamente.

No plano do tabagismo, 5,5% das mães do pool regional declararam ter fumado durante a gravidez, com variação entre 3,2% na Província Autônoma de Bolzano e 7,9% no Lácio. O comportamento relacionado ao tabaco tende a piorar no período de aleitamento: em todas as Regiões, a proporção de mulheres que fumam é maior durante a amamentação do que na gestação, variando de 4% em Bolzano a 10,6% na Sicília. Além disso, registra-se crescimento no uso de produtos alternativos, como cigarro eletrônico e tabaco aquecido, durante o puerpério.

O relatório também aponta desafios em áreas emergentes de promoção à saúde infantil: a exposição precoce de crianças a telas (TV, tablet, celular) permanece elevada e a prática da leitura compartilhada em família ainda não alcança níveis desejáveis. No campo do suporte à parentalidade, apesar da boa participação materna em cursos de preparação para o parto, há carência de visitas domiciliares pós-parto e uma adesão insuficiente ao congédo paterno: pouco mais da metade dos pais usufrui da licença, com diferenças territoriais relevantes.

"Não todos os meninos e meninas nascem e crescem nas mesmas condições", resume Rocco Bellantone, presidente do ISS. A avaliação do especialista enfatiza que as desigualdades sociais, econômicas e culturais já se manifestam antes do nascimento e tendem a ampliar-se nos primeiros anos, condicionando a saúde ao longo da vida. Para Bellantone, promover os primeiros 1.000 dias exige integrar promoção da saúde e redução das desigualdades por meio de políticas comunitárias mais equitativas.

Em síntese, o monitoramento 0-2 anos fornece um raio-x técnico das práticas que influenciam o desenvolvimento infantil: há progressos, sobretudo na redução do álcool e do tabagismo em gestação, mas persistem falhas críticas — início tardio do ácido fólico, aumento do consumo de produtos de tabaco no puerpério, exposição precoce a aparelhos eletrônicos e insuficiente apoio domiciliar e paterno. O cenário sublinha a necessidade de intervenções dirigidas, com atenção especial às regiões mais vulneráveis, para transformar recomendações em práticas de saúde pública efetivas.