Itália na mira de nova onda de calor: OMS alerta para picos até 43°C e aumento de bollini arancioni
OMS Europa alerta nova onda de calor com até 43°C; Itália registra aumento de bollini arancioni e risco para grupos vulneráveis.
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Itália na mira de nova onda de calor: OMS alerta para picos até 43°C e aumento de bollini arancioni
Uma nova e intensa onda de calor está em formação sobre o Atlântico e avança em direção à Europa. Em pronunciamento recente, o diretor da OMS Europa, Hans P. Kluge, informou que pesquisas e modelos meteorológicos apontam para temperaturas que podem chegar até a 43 graus em Portugal e no sul da Espanha. A preocupação levou a organização a convocar uma reunião de emergência com 41 Estados-membros e a Comissão Europeia para avaliar riscos e respostas.
Segundo Kluge, a reunião expôs que vários países já tratam o calor extremo como uma verdadeira emergência de saúde pública e não apenas um fenômeno meteorológico. "O encontro deixou claro o nível de seriedade com que os Estados estão enfrentando o problema", declarou o diretor, ressaltando que do debate resultaram tanto progressos quanto lacunas operacionais que precisam ser corrigidas.
No cenário italiano, os efeitos dessa nova fase de calor já são visíveis no boletim nacional sobre ondas de calor. O Ministério da Saúde registrou um aumento dos bollini arancioni — nível 2 numa escala de 0 a 3, que indica risco para grupos mais vulneráveis. Hoje havia apenas um bollino arancione (Florença); a previsão indica que amanhã esse número subirá para dez cidades, incluindo Ancona, Bolonha, Brescia, Milão, Perugia, Pescara, Turim, Veneza e Verona, além de Florença.
De acordo com o relatório municipal de Florença, as temperaturas máximas percebidas podem alcançar até 36°C entre hoje e amanhã, com pico de 37°C na quinta-feira. As temperaturas do ar previstas são 34°C hoje, 32°C na quarta-feira e 36°C na quinta-feira, com mínimas noturnas entre 23°C e 24°C. As análises meteorológicas locais apontam para o fortalecimento do anticiclone africano sobre o Mediterrâneo e sua extensão ao Centro-Norte da Itália, o que explica a elevação progressiva dos termômetros na região da Toscana.
Do outro lado da Península Ibérica, a situação é ainda mais severa. A agência meteorológica espanhola (Aemet) registrou 44°C em áreas da Aragão, Catalunha e Comunidade Valenciana; valores superiores a 42°C foram anotados em Sevilha, Córdoba, Jaén, Huelva, na Andaluzia, assim como em Badajoz (Estremadura) e Ciudad Real (Castela-Mancha). A expectativa é que, nas próximas horas, grande parte da Espanha ultrapasse a barreira dos 40°C.
O calor extremo atinge também o Norte da África: o Marrocos experimenta picos de temperatura sob a influência do vento Chergui, vento quente e seco que agrava o desconforto térmico e eleva os riscos para a população.
Do ponto de vista de saúde pública, a recomendação das autoridades é clara e foi reiterada durante a reunião da OMS Europa: monitoramento intenso dos grupos de risco, planos de ação locais para proteger idosos e portadores de doenças crônicas, abastecimento de água e campanhas de comunicação sobre medidas de prevenção. A avaliação técnica combinou dados meteorológicos com indicadores de vulnerabilidade social — um cruzamento de fontes exigido para reduzir perdas e evitar sobrecarga nos serviços de saúde.
Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam que a nova fase de calor não é episódica: trata-se de um padrão consistente com o aumento de eventos extremos observado nos últimos anos. A realidade traduzida pelos números aponta para a necessidade de respostas imediatas e coordenadas entre governos, serviços de saúde e cidadãos.
Por Giulliano Martini, correspondente em Roma para Espresso Italia.