Manifestação da Lega em Milão: cantos contra muçulmanos e UE e presença de centros sociais
Em Milão, manifestação da Lega reúne cantos contra muçulmanos e UE; Salvini propõe 'remigração' e elogia Orbán. Presença de centros sociais cria tensão.
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Manifestação da Lega em Milão: cantos contra muçulmanos e UE e presença de centros sociais
Em manifestação organizada pelos Patrioti europei em Milão, líderes da Lega voltaram a concentrar discurso em temas-identidade e crítica à União Europeia. Do palco, Matteo Salvini saudou o prefeito Giuseppe Sala e os centros sociais, provocando vaias e apupos da plateia — reação que descreve o clima polarizado da praça.
Salvini afirmou, em tom de compromisso eleitoral, que como milanês dará o “máximo empenho” para vencer as eleições nacionais no próximo ano e recuperar o poder municipal: “Prepariamoci — dopo 15 anni di sinistra — a vincere le elezioni comunali e tornare a Palazzo Marino”, disse. O objetivo anunciado inclui avançar na pauta de reformas defendidas pela legenda, com ênfase na autonomia.
No cerne do discurso, voltou a tema da chamada remigração. Salvini explicou que a proposta não significa “mandar a casa todos que encontra na rua”, mas condicionar permanência e cidadania a regras: “O permissão de soggiorno e a cidadania são um ato de confiança; todos são bem-vindos, mas se cometes erros, volta para casa”. Propôs um modelo comparável a uma “carteira de motorista” com sistema de pontos aplicado ao permissório de residência. Para criminosos, frisou, “uma só escolha: a casa deles, todos”.
O líder da Lega evocou figuras simbólicas para marcar identidade: lembrou Oriana Fallaci como referência de uma narrativa nacionalista e citou também o conservador norte-americano Charlie Kirk, qualificando-os de “patriotas pela democracia e pela liberdade”. Segundo Salvini, vivemos “democracias fracas”, dominadas pelo medo de pensar e falar contrariamente ao que ele chamou de alinhamentos obedientes.
Do palco também partiram ataques diretos às instituições europeias e à presidente da Comissão, Ursula von der Leyen. Salvini ironizou propostas de Bruxelas para a crise energética, associando-as a um novo bloqueio: “A genialata de von der Leyen, um novo lockdown... Não temos intenção de fechar escolas e fábricas”. A crítica se desdobra em repúdio a políticas que, segundo ele, prejudicariam trabalhadores e estudantes.
O discurso incluiu saudações a aliados externos: “Os Patrioti europei são uma família”, afirmou antes de dirigir cumprimentos ao primeiro‑ministro húngaro Viktor Orbán, elogiado por “defender fronteiras” e combater traficantes. Em seguida, Salvini rechaçou a proposta de um exército europeu, alinhando-se contra iniciativas defendidas por Emmanuel Macron, e endossou candidaturas de direita na França: “Boa sorte a Marine Le Pen e a Giorgia Meloni e a líder local”, referindo‑se também a Ignazio La Russa e a nacionalistas aliados.
Além dos discursos, a mobilização registrou cânticos e slogans direcionados contra muçulmanos e contra a União Europeia, conforme relatos de participantes e observadores presentes. A presença dos centros sociais na caminhada, saudada pelo palco e contestada pela multidão, sublinha a tensão entre setores que dialogam com a direita populista e fragmentos de ativismo urbano.
Relatório cruzado de fontes no local aponta para uma ação de campanha fortemente focada na mobilização identitária e na crítica às instituições europeias, com claras intenções de influenciar a agenda eleitoral municipal e nacional. A manifestação confirma a estratégia da Lega de combinar retórica de segurança e soberania com símbolos culturais e alianças transnacionais.