Investigações apontam fitofármacos em iscas que mataram ao menos 23 lobos no Parco d’Abruzzo; procuradoria mira agricultores e exclusões de fundos da UE

Laudos indicam fitofármacos em iscas que mataram 23 lobos no Parco d’Abruzzo; investigação mira agricultores e exclusões de fundos da UE.

Investigações apontam fitofármacos em iscas que mataram ao menos 23 lobos no Parco d’Abruzzo; procuradoria mira agricultores e exclusões de fundos da UE

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Investigações apontam fitofármacos em iscas que mataram ao menos 23 lobos no Parco d’Abruzzo; procuradoria mira agricultores e exclusões de fundos da UE

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A investigação sobre a morte de ao menos 23 lobos no Parco Nazionale d'Abruzzo, Lazio e Molise entre meados e o fim de abril avançou com resultados laboratoriais que alteram o quadro inicial: todas as iscas envenenadas analisadas continham preparações de uso agrícola, os chamados fitofármacos. A conclusão consta de laudos do Istituto Zooprofilattico de Teramo e do Centro de Medicina Forense Veterinaria de Grosseto, integrados pela Procura de Sulmona, cujo procurador chefe Luciano D'Angelo coordena o inquérito.

Os exames revelam um padrão técnico que orienta a investigação. Certas substâncias identificadas só podem ser adquiridas por empresas registradas e por pessoas inscritas em registros regionais específicos. Esse detalhe levou os magistrados a ampliar as linhas de apuração para além do ato criminoso: há foco também na cadeia de fornecimento, na documentação de compra e no possível envolvimento de operadores agrícolas.

Em razão disso, está marcada para as próximas horas uma audiência na Procuradoria com Dino Rossi, presidente do COSPA (Comitato agricoltori e allevatori d'Abruzzo). Rossi deve fornecer dados sobre os produtos mais usados na região, sobre rotinas de aplicação e sobre quem, na prática, tem acesso a esses produtos. Investigadores também buscam relacionar as formulações químicas às culturas tratadas e aos lotes agrícolas onde tais fitofármacos são regularmente aplicados.

Outra frente é técnica e forense: uma amostra de isca está sendo submetida a análises de DNA na tentativa de identificar material biológico que leve ao proprietário do isco ou a animais de fazenda que possam ter estado em contato com a embalagem.

Paralelamente, a investigação segue linha administrativa e econômica. Os promotores buscam entender se tensões locais relacionadas à distribuição — ou exclusão — de fundos da UE podem ter motivado ações criminosas. Especificamente, a atenção está dirigida a quem ficou de fora dos aportes europeus em razão do arrendamento de cerca de 20 mil hectares por parte do Ente Parco, hipótese que vem sendo analisada para mapear conflitos de interesse e potenciais retaliações.

As primeiras cinco carcaças foram encontradas em meados de abril no território do município de Alfedena; outras cinco apareceram em Pescasseroli. O Parco divulgou nota em que condena os atos e recorda que o debate público sobre o status de proteção do lobo — recentemente alterado de “rigorosamente protegido” para “protegido” no âmbito de decisões europeias e nacionais — tem inflamado polarizações locais. A mudança de categoria, promovida pelo governo e alinhada a convenções internacionais, abriu caminho ao manejo do lobo, inclusive ao abate sob critérios legais (o primeiro abatimento autorizado após meio século ocorreu em agosto de 2025, no Alto Adige).

Além dos grandes carnívoros, investigações laboratoriais confirmaram que aves de rapina e raposas também foram vítimas das mesmas iscas. A equipe forense continua a mapear pontos de distribuição e a rastrear a aquisição dos produtos. Em campo, técnicos do parque e polícias locais realizam varreduras para recolher novas evidências e evitar que outras iscas causem mais perdas.

O caso, de repercussão nacional, soma apuração técnica e cruzamento de dados econômicos e cadastrais. O objetivo declarado da Procuradoria de Sulmona é levar as investigações até os elos de fornecimento e responsabilizar penalmente quem encomendou e quem abasteceu as iscas com fitofármacos, além de esclarecer se disputas por fundos da UE e posse de terras teriam motivado crimes contra o patrimônio natural.

Apuração contínua. A realidade traduzida: investigações forenses e administrativas em curso para reconstruir cadeia de responsabilidades e prevenir nova tragédia ao patrimônio natural comum.