Tragédia nas Maldivas: o que não fecha — cilindros, limite de 30 metros e dúvidas sobre permissões
Tragédia nas Maldivas: investigações apontam dúvidas sobre cilindros, limite de 30 metros e autorizações da expedição a bordo do Duke of York.
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Tragédia nas Maldivas: o que não fecha — cilindros, limite de 30 metros e dúvidas sobre permissões
Apuração em campo e cruzamento de fontes indicam pontos centrais que ainda não se alinham na investigação sobre a tragédia que vitimou mergulhadores italianos nas Maldivas. O regulamento oficial do Ministério do Turismo das Maldivas é explícito: são proibidos os mergulhos recreativos além de 30 metros de profundidade. Essa norma vale para turistas, instrutores e, sem exceções, para todos os participantes de atividades realizadas em liveaboards e safari boats.
Mesmo assim, fontes e documentos preliminares apontam múltiplas linhas de investigação em aberto: a composição das misturas nos cilindros utilizados pelos submersos, a eventual ausência de autorizações específicas para mergulhos em derrogação, o propósito da expedição a bordo da embarcação Duke of York e questões relacionadas à logística e ao planejamento da imersão que chegou a 60 metros, segundo relatos iniciais.
A polícia das Maldivas, responsável pela apuração local, terá de verificar também se a operação foi formalmente enquadrada como atividade científica. O regulamento do arquipélago prevê exceções — para missões científicas e comerciais, por exemplo — desde que exista autorização escrita prévia do Ministério do Turismo. Sem essa autorização, o limite dos 30 metros é absoluto.
O embaixador da Itália em Colombo, Damiano Francovigh, informou que as autoridades maldivianas seguem interrogando todos os presentes a bordo do Duke of York para apurar se a missão tinha fins científicos e se contava com registros oficiais que permitissem o ultrapassamento dos limites regulamentares. Paralelamente, a Procuradoria de Roma abriu um inquérito para acompanhar a investigação e coletar elementos sobre as circunstâncias que envolveram cidadãos italianos.
Uma hipótese parcial foi confirmada pela Universidade de Gênova: a professora Monica Montefalcone e a doutora Muriel Oddenino — duas das cinco vítimas — estavam nas Maldivas vinculadas a uma missão de pesquisa voltada ao monitoramento do ambiente marinho e às alterações climáticas. No entanto, a universidade esclareceu que o mergulho que resultou na tragédia não constava como atividade oficial da expedição científica, tendo sido realizado de forma pessoal.
Fontes locais e operadores do setor lembram que exceções aos 30 metros existem, mas são raras e condicionadas — por exemplo, produções documentais ou projetos de pesquisa, com suporte médico e autorizações específicas. Há ainda discussões no governo de Malé sobre a possibilidade de reformar o regulamento para permitir a prática de mergulho técnico até 40 metros, alinhando-se a alguns padrões internacionais; trata-se, até agora, de uma proposta em avaliação para 2025 e não de uma norma em vigor.
Profissionais experientes do mergulho sublinham que imersões em profundidades superiores demandam planejamento técnico rigoroso, mistura de gases adequada, tabelas de descompressão e suporte logístico compatível. Esses elementos estarão no centro da verificação das autoridades: fatos brutos que precisam ser cruzados para reconstruir a dinâmica do incidente sem ruído nem especulação.
O trabalho investigativo segue em múltiplas frentes — interrogatórios, análise de registros de embarcação, verificação de autorizações e perícias técnicas nos equipamentos. A transparência sobre esses elementos será determinante para identificar responsabilidades e evitar repetições da tragédia.