MANN reabre seção de Numismática com mais de 6.000 moedas e 130 joias antigas
MANN reabre seção de Numismática com 6.000 moedas, 130 joias e peças de Pompeia; exposição traça a história monetária do Sul da Itália.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
MANN reabre seção de Numismática com mais de 6.000 moedas e 130 joias antigas
Por Giulliano Martini. O MANN (Museu Arqueológico Nacional de Nápoles) reabriu a sua seção de numismática, agora acessível ao público desde 25 de abril. A exposição reúne mais de 6.000 moedas, medalinhas, coni e punzoni, além de materiais arqueológicos que traçam a história econômica do mundo grego, romano, medieval, renascentista e moderno. Em complemento à coleção monetária, são exibidos cerca de 130 joias e alguns exemplos raros de tecidos dourados. Apuração in loco e cruzamento de fontes validam os dados apresentados.
Segundo Francesco Sirano, diretor geral do MANN, a seção não é apenas um inventário de objetos, mas um repositório de histórias humanas: os que cunharam as moedas, os que as usaram e os que tentaram preservá-las em momentos de crise, como durante as erupções do Vesúvio. Sirano destaca que as peças permitem compreender métodos de peso, sistemas monetários e expectativas econômicas de diferentes épocas. São «testemunhos» — no sentido mais literal e técnico do termo — de práticas sociais e econômicas ao longo de séculos.
O núcleo da exposição concentra-se no desenvolvimento histórico da monetização no Sul da Itália, do período arcaico (século VI a.C.) até a época borbônica e a unificação da Itália. A mostra inclui moedas provenientes de escavações pré e pós-unitárias, aquisições e doações. Entre os itens de destaque está o medaglione de ouro atribuído a Augusto, além de intonaci pintados, materiais epigráficos e móveis vindos de casas, oficinas e botteghe da antiga Pompeia, com peças também procedentes de Ercolano e da área vesuviana.
Do estudo das primeiras peças em bronze e prata emerge um quadro técnico: em Nápoles eram cunhadas moedas de bronze e, a partir do contato com a Magna Grécia, também moedas de prata. Sirano aponta que as primeiras monetizações romanas mais antigas podem ter sido produzidas na Campânia para os romanos, fato atestado por inscrições primitivas que mencionam os emissores e a inscrição em grego 'rhomaioi', referindo-se às moedas dos romanos.
O museu detém uma coleção de mais de mil joias; a seleção exposta na nova seção numismática é composta por aproximadamente 130 peças consideradas de grande valor histórico e técnico. Parte dessas joias integra as coleções históricas fundacionais do MANN; outra parte foi resgatada durante escavações recentes em sítios arqueológicos do território vesuviano.
O relato curatorial privilegia a leitura técnica e contextual: pesos, ligas metálicas, iconografia e proveniência estratigráfica são apresentados como instrumentos analíticos para reconstruir a economia antiga. A exposição é, portanto, um observatório que oferece um retrato incomparável da circulação monetária no mundo romano a partir do prisma da Campânia.
Fatos brutos e documentação arqueológica acompanham as vitrines, em uma narrativa que prioriza precisão documental e verificação: esta é uma seção pensada para especialistas e para o público que busca a realidade traduzida em evidência material.