Massacre de Bolonha: 2 de agosto, Mattarella e Meloni marcam celebrações por justiça

46º aniversário do Massacre de Bolonha: cidade lembra 2 de agosto de 1980, com pedidos de verdade e justiça e declarações de Mattarella e Meloni.

Massacre de Bolonha: 2 de agosto, Mattarella e Meloni marcam celebrações por justiça

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Massacre de Bolonha: 2 de agosto, Mattarella e Meloni marcam celebrações por justiça

Bolonha lembra, 46 anos depois, o Massacre de Bolonha ocorrido em 2 de agosto de 1980, o atentado mais sangrento da história da República italiana, que deixou 85 mortos e mais de 200 feridos. A cidade realizou a tradicional marcha a partir da Piazza Nettuno até a praça em frente à estação, onde o relógio na fachada permanece parado em 10h25, o instante exato da explosão.

O cortejo partiu próximo à sede da prefeitura e seguiu entre bandeiras e estandartes até a Piazza Medaglie d'Oro, ponto central das cerimônias de memória do 2 de agosto. Em Palazzo d'Accursio foram ouvidas as intervenções do prefeito Matteo Lepore — que recebeu gritos de apoio e a palavra de ordem “não desistir” —, de familiares das vítimas e do representante do governo, o subsecretário do Interior Nicola Molteni. Também esteve presente a líder do Partido Democrático, Elly Schlein.

Entre os presentes havia parentes de Abderrahim Fakir, de 43 anos, morto durante uma intervenção policial no bairro do Pilastro — episódio recente que, segundo muitos, acrescenta uma ferida aberta à cidade. A presença dos familiares de Fakir foi narrada como testemunho de uma “Bolonha cidade ferida”, conforme relatos obtidos na apuração in loco e no cruzamento de fontes com representantes locais.

As decisões mais recentes da Corte de Cassação confirmaram a pena de prisão perpétua para Gilberto Cavallini e Paolo Bellini, encerrando etapas processuais relativas aos executores. No entanto, os julgamentos não resultaram em condenações efetivas sobre os mandantes. A falta de responsabilização pela cadeia completa de comando mantém viva a exigência por verdade e justiça por parte da cidade e dos familiares.

O episódio de 2 de agosto de 1980 transformou em tragédia um sábado de férias: a bomba explodiu na sala de espera de segunda classe, destruindo o restaurante e os escritórios do primeiro andar. Passageiros e transeuntes caminhavam às cegas entre pó e escombros na procura por parentes; muitos removeram destroços com as próprias mãos. O trem Adria Express 13534, trajeto Ancona–Basel, então parado no primeiro trilho, foi esmagado pelos detritos e interiores do vagão viraram locais de sufocamento e morte.

Após a deflagração, desabaram cerca de trinta metros de marquise e paredes acima das salas de espera. A resposta dos serviços de socorro foi imediata: bombeiros, forças policiais e unidades médicas trabalharam em conjunto. Um dos símbolos que permanecem na memória coletiva é o ônibus 37, que, junto a táxis, funcionou como um transporte improvisado de corpos até a Medicina Legal — liberando ambulâncias para o atendimento aos feridos.

O presidente da República, Sergio Mattarella, escreveu por ocasião do aniversário que o “sinal profundo impresso pelo atentado de 2 de agosto de 1980 está inscrito na história republicana e na consciência dos italianos”, lembrando “o infinito sofrimento das vítimas, mulheres, homens e crianças”.

Em Bolonha, o calor não desmobilizou a população: como tradição, a cidade sai às ruas para pedir respostas e confirmar que a busca por justiça permanece inalterada. A cerimônia combina memória, denúncia e exigência institucional, enquanto perguntas fundamentais sobre os mandantes continuam sem resposta.

Apuração: Giulliano Martini — Espresso Italia. Relato baseado em presença nas cerimônias, análise de comunicados oficiais e verificação de sentenças judiciais.