Milão: agressor do estudante esfaqueado é condenado a 20 anos; vítima abraça réus em audiência
Condenado a 20 anos em Milão o agressor do estudante esfaqueado; vítima Davide Cavallo abraça réus e recebe indenização provisória.
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Milão: agressor do estudante esfaqueado é condenado a 20 anos; vítima abraça réus em audiência
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. O tribunal de Milão condenou, nesta quarta-feira, o jovem Alessandro Chiani, de 19 anos, a 20 anos de prisão pelo crime de tentativa de homicídio e pela rapina contra o estudante de 22 anos Davide Cavallo, aluno da Bocconi que foi brutalmente atacado em outubro de 2025.
A sentença foi proferida no rito abreviado pelo juiz Alberto Carboni. Chiani foi considerado o executor material do ataque ocorrido na noite de 12 de outubro, quando Cavallo sofreu múltiplas facadas e, segundo os médicos, ficou com uma lesão permanente. Em juízo, Cavallo surpreendeu ao abraçar os dois réus presentes na audiência antes de conversarem por alguns minutos.
O co-imputado, identificado como Ahmed Atia, de 18 anos, acusado de atuar como "palo", foi condenado a 10 meses e 20 dias por omissão de socorro. A Procuradoria havia pedido penas mais elevadas: 12 anos para Chiani e 10 anos para Atia. A diferença entre a pretensão do Ministério Público e a decisão judicial foi explicitada na motivação do juiz, que considerou a materialidade e as circunstâncias do crime, além do pedido de abreviação do processo.
O juiz também determinou uma provisão de indenização no valor de meio milhão de euros (500.000 €) a favor de Davide Cavallo e de 50.000 € para cada um dos genitores e para o irmão mais novo do estudante. Esses valores foram fixados com base na gravidade das lesões e no impacto psicológico e material causado à vítima e à família.
As investigações do Ministério Público de Milão, coordenadas pelo procurador Andrea Zanoncelli e conduzidas pelos agentes do commissariato Garibaldi-Venezia, apontam que, na noite do ataque, dois maiores e três menores, entre amigos, cercaram Cavallo e o agrediram com chutes, socos e um golpe de faca, depois que a vítima teria tentado recuperar 50 euros que haviam sido subtraídos. Há precisão nos autos sobre o local: a versão inicial menciona a área de Corso Como, em frente a uma discoteca; outros trechos do inquérito citam Viale Montegrappa — discrepância que consta do processo e que foi objeto de apuração pelas equipes policiais.
"Se posso ser schietto — se posso ser franco —, Davide não procurava vingança. Ele estava magoado. A vitória de hoje foi o abraço", declarou o advogado da família, Luca Degani, destacando que a reação do jovem é uma evidência do sofrimento sofrido e da complexa dinâmica emocional após o crime. A declaração foi transcrita nos autos e confirmada por fontes judiciais.
O caso reacende o debate sobre a violência noturna e a resposta do sistema penal diante de agressões grupais. A sentença de hoje marca um capítulo importante no processo penal, mas não encerra a apuração de responsabilidades — especialmente no que diz respeito aos menores eventualmente envolvidos, cujos procedimentos seguem sob sigilo e em varas competentes.
Fatos brutos, documentos e decisões judiciais foram cruzados para esta reportagem. Continuaremos a acompanhar recursos, eventuais apelações e o cumprimento das determinações de indenização fixadas pelo tribunal.