Montanari acusa herdeiros do fascismo de atacar a Constituição e tentar controlar a justiça
Montanari afirma que herdeiros do fascismo querem destruir a Constituição e controlar juízes; debate une memória histórica e críticas à reforma judicial.
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Montanari acusa herdeiros do fascismo de atacar a Constituição e tentar controlar a justiça
Roma — Em discurso na iniciativa "La Costituzione è nostra", realizada em Roma, o historiador e reitor Tomaso Montanari traçou um diagnóstico contundente sobre a relação entre poderes e as tentativas contemporâneas de redefinir o papel do Judiciário. Citando Montesquieu, Montanari lembrou o risco para a democracia quando um dos três poderes — executivo, legislativo e judiciário — se sobrepõe aos demais.
Segundo Montanari, a trajetória italiana rumo a uma efetiva separação de poderes sofreu um retrocesso durante o período do fascismo, quando os poderes do Estado foram concentrados pelo regime. "No percurso histórico foi difícil para as camadas populares obterem justiça; era mais fácil que os poderosos dominassem os juízes. Esse caminho avançou, mas foi interrompido sob o fascismo", afirmou o reitor.
O ponto central do seu pronunciamento foi a crítica à atual maioria de governo, que, na avaliação do historiador, reúne "os herdeiros daqueles que foram banidos pela Constituição de 1948". Montanari denunciou que esses atores políticos não pretendem apenas governar, mas "mandar" — inclusive sobre os magistrados — por meio de mudanças propostas na estrutura do sistema judicial. "Com esta reforma querem comandar também os juízes", disse.
O tom do intervento foi marcado pela combinação de referência doutrinária e memória histórica: Montesquieu para demarcar o princípio da separação dos poderes; a experiência do século XX italiano para alertar sobre os efeitos práticos da concentração de autoridade. Montanari pediu atenção aos sinais institucionais que, segundo ele, apuntam para um enfraquecimento da autonomia judicial.
Em nota informativa anexa à cobertura, cita-se ainda um registro fotográfico datado de 3 de junho de 2025 que teria imortalizado o subsecretário da Justiça ao lado da chefe de gabinete do ministério em um estabelecimento ligado ao prestanome de Senese, atualmente preso. O registro foi mencionado sem contextualização adicional na fala pública, mas integra o mosaico de elementos que alimentam o debate público sobre a integridade institucional.
No mesmo evento de agenda pública, embora em pauta distinta, foram divulgadas declarações sobre a presença e investimento de redes privadas na economia italiana. O senador Giorgio Salvitti — conselheiro do ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida — ressaltou os 40 anos da presença da rede McDonald's na Itália, destacando o papel da iniciativa privada na geração de empregos e na valorização de produtos locais.
Salvitti enfatizou que a introdução de alimentos com certificação DOP em cardápios de redes amplas é estratégia para impulsionar cadeias produtivas fragilizadas, citando exemplos como mel e o tomate Pachino. Em linha com esse posicionamento, Antonello Aurigemma, presidente do Conselho Regional do Lácio, realçou o papel da rede no desenvolvimento ocupacional e citou o caso de Amedeo Avenale — que começou a trabalhar jovem na Piazza di Spagna e hoje é empreendedor na mesma cadeia.
A Região, segundo Aurigemma, permanece aberta ao diálogo com empresários para conciliar inovação, respeito ao patrimônio cultural e decoro urbano. As declarações compõem um quadro multifacetado em que disputas sobre instituições e interesses econômicos coexistem no centro do debate público italiano.
Apuração em Roma. Texto por Giulliano Martini, correspondente com base na Itália; cruzamento de fontes e transcrições do evento.


