Novo laudo reabre o Caso Garlasco: Laudo aponta que Chiara Poggi lutou por muito tempo com seu assassino
Laudo aponta que Chiara Poggi lutou por longo tempo; novo material pode reabrir o Caso Garlasco 18 anos após o crime.
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Novo laudo reabre o Caso Garlasco: Laudo aponta que Chiara Poggi lutou por muito tempo com seu assassino
O cenário processual em torno do Caso Garlasco pode sofrer uma virada relevante. Documentos recentemente revelados por uma reportagem do TG1 e depositados na Procura de Pavia apontam evidências que, se confirmadas, reabririam dúvidas centrais sobre a dinâmica da morte de Chiara Poggi, 26 anos, assassinada em 13 de agosto de 2007 na casa da família em via Pascoli.
Em consulta pericial encomendada pelo Ministério Público, a anatomopatologista Cristina Cattaneo descreve hematomas e abrasões nos braços e nas pernas da vítima compatíveis com uma resistência prolongada. Segundo o laudo, as marcas indicam não apenas a tentativa de se proteger de golpes desferidos com um objeto contundente, mas uma luta por sobrevivência que durou tempo suficiente para deixar sinais físicos e biológicos.
O laudo também oferece explicações para a presença de traços de DNA encontrados sob as unhas de Chiara Poggi. Uma dessas amostras, conforme atribuído por investigadores e pelos Carabinieri de Milão, corresponderia a Andrea Sempio, amigo do irmão da vítima, Marco. Sempio está formalmente indagado por homicídio em concurso – investigação que prossegue há mais de um ano após duas anteriores arquivações. Essas arquivações, por sua vez, deram origem a um inquérito da Procura de Brescia sobre quem pediu as arquivações, incluindo menções ao ex-chefe da Procura de Pavia, Mario Venditti.
De acordo com a peça pericial relatada pelo TG1, o crime não teria sido instantâneo. A dinâmica descrita aponta episódios distintos entre o andar térreo e a escada interna da residência. Em um dos momentos, o agressor teria observado o corpo de Chiara no último degrau antes de desferir um novo golpe — possivelmente com um martelo — o que reforça a hipótese de múltiplas fases da agressão.
Se essas conclusões forem confirmadas e consideradas robustas pelas autoridades, elas colidem com a versão consignada pela Cassação ao confirmar a condenação de 16 anos de Alberto Stasi, ex-namorado da vítima. Na decisão final, a Suprema Corte sustentou que, pela dinâmica da agressão, Chiara não teria tido tempo de reagir, permanecendo inerte diante de um ataque de elevada violência. Já a Corte de Apelação de Milão — cuja conclusão foi posteriormente ratificada pela Cassação quanto à autoria, mas não quanto à qualificadora da crueldade — descreveu uma "progressão" criminosa possivelmente dependente da reação da vítima.
O novo laudo traz, portanto, um potencial elemento de ruptura na narrativa consolidada nos julgamentos: a existência de sinais físicos e vestígios genéticos compatíveis com resistência e confronto prolongado.
Apuração in loco e cruzamento de fontes serão determinantes para avaliar a robustez das conclusões. Cabe agora à Procuradoria de Pavia avaliar o conteúdo técnico apresentado por Cristina Cattaneo e decidir sobre eventuais novos atos de investigação. A reabertura formal do caso, 18 anos após o crime, depende da validação pericial e da correlação com o conjunto probatório existente.
Do ponto de vista jurídico, as implicações são claras: a confirmação de uma luta prolongada poderia tornar imprescindível reexaminar depoimentos, reavaliar as evidências de DNA e, eventualmente, ampliar o rol de indiciados ou revisar qualificações penais. A realidade traduzida pelo laudo pede cautela, mas impõe que o episódio volte ao centro da investigação criminal com a mesma precisão técnica com que foi agora reportado.