Mais de 8 mil em Palermo exigem verdade e justiça pelas stragi de Capaci; Maria Falcone: “Giovanni é nosso”

Mais de 8 mil em Palermo exigem verdade e justiça pelas stragi de Capaci; Maria Falcone: “Giovanni é nosso”. Minuto de silêncio às 17:58.

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Mais de 8 mil em Palermo exigem verdade e justiça pelas stragi de Capaci; Maria Falcone: “Giovanni é nosso”

Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: mais de 8.000 pessoas participaram do cortejo realizado em Palermo neste 34º aniversário da explosão de Capaci, organizado por um amplo cartaz de associações e coletivos que clamam por verdade e justiça sobre as stragi di mafia.

O protesto, convocado por grupos como Agende Rosse, CGIL, Casa Memoria Felicia e Peppino Impastato, Centro Studi Paolo e Rita Borsellino e Our Voice, partiu do Palazzo di Giustizia e seguiu por pontos centrais da cidade — Piazza Verdi, Via Ruggero Settimo, Piazza Castelnuovo e Via Libertà — até a área junto ao Albero Falcone, em Via Notarbartolo. Música, faixas e palavras de ordem, entre elas “Fuori la mafia dallo Stato” e “Basta silenzi e depistaggi”, marcaram o percurso.

Observei in loco a presença significativa de jovens com camisetas e cartazes coloridos, elemento recorrente que confirma a transmissão da memória para as novas gerações. No palco montado aos pés do Albero Falcone havia um monitor que marcava o horário: exatamente às 17:58, momento em que a explosão que destruiu a autostrada matou Giovanni Falcone, Francesca Morvillo, Antonio Montinaro, Rocco Dicillo e Vito Schifani, o público foi convidado ao silêncio. A visibilidade desse minuto foi reforçada após controvérsias no ano passado, quando o tributo foi antecipado por alguns minutos e gerou críticas.

Da tribuna, Maria Falcone falou com tom firme e direto: “Há quem conteste — é o sal da democracia. Espero apenas que não se faça às 17:58, naquele momento terrível. Quero dizer que Giovanni é nosso. Guai a quem o toque. Devemos levar adiante suas ideias; eles pertencem a todos”. A irmã do magistrado lembrou que hoje está sozinha no palco, mas atrás dela há jovens de toda a Itália que lerão os nomes — uma escolha pensada para sublinhar que a memória tem de ser ativa e compartilhada.

O magistrado Nino Di Matteo compareceu e foi recebido com aplausos. Em declarações públicas, afirmou que a verdade sobre as stragi só será alcançada se as instituições e o povo italiano efetivamente a desejarem. “Os sinais não são positivos — disse —. Há uma parcela do país e das instituições que quer arquivar definitivamente capítulos importantes, contentando-se com a condenação dos mafiosos, que é relevante, mas não reconstrói toda a verdade”.

Durante o ato foram reiteradas exigências contra o silêncio, os bloqueios investigativos e a necessidade de manter viva a memória do trauma coletivo de 1992. Esta geração — nascida ou marcada por aquelas bombas — vive uma “segunda nascença” que impõe transformar a dor em instrumentos de resistência democrática. A clareza dos fatos, a investigação contínua e a limpeza de narrativas foram argumentos recorrentes nas falas e nos cartazes.

Relato direto, sem especulações: o cortejo em Palermo consolidou mais um capítulo de mobilização cívica que exige que a busca por verdade e justiça não se limite às sentenças penais, mas avance na reconstrução completa dos fatos e das responsabilidades institucionais.