Papa Leone XIV carregará a cruz na Via Crucis do Coliseu na Sexta‑feira Santa
Papa Leone XIV levará a cruz na Via Crucis do Coliseu em 3 de abril; meditações por Francesco Patton e retorno da Missa ao San Giovanni in Laterano.
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Papa Leone XIV carregará a cruz na Via Crucis do Coliseu na Sexta‑feira Santa
Em apuração direta a partir da Sala de Imprensa da Santa Sé, confirmo que será o Papa Leone XIV a carregar a cruz por toda a Via Crucis no Coliseu na Sexta‑feira Santa, 3 de abril. As meditações das estações serão conduzidas pelo padre franciscano Francesco Patton, que exerceu o cargo de custodio da Terra Santa entre 2016 e 2025, antes de Francesco Ielpo.
O anúncio encerra o misto de expectativas em torno do Tríduo Pascal deste ano e evidencia, desde já, a linha litúrgica adotada por Leone XIV. O rito da Missa in Coena Domini, núcleo do Quinta‑feira Santa, retorna à Basilica di San Giovanni in Laterano, catedral da diocese de Roma e sede episcopal do Pontífice.
Trata‑se de uma mudança clara de direção em relação a treze anos de pontificado do Papa Francisco, período em que a celebração foi deslocada para lugares apontados como símbolos da dor social — penitenciárias, centros para migrantes e estruturas de acolhimento. O novo Pontífice opta por reconduzir a cerimônia ao terreno da tradição litúrgica consolidada, enfatizando a dimensão sacramental e eclesial do rito.
Na mesma linha, o rito da lavanda dos pés será realizado com doze sacerdotes, numa referência mais estrita ao gesto sacramental de Cristo na Última Ceia. A escolha contrasta com a abertura pastoral de anos anteriores, quando Francisco incluiu mulheres, detentos, migrantes, pessoas transgênero e fiéis de outras religiões, transformando o gesto em sinal de inclusão e proximidade social.
Do ponto de vista institucional e simbólico, o retorno às práticas tradicionais representa uma reorientação do culto para uma atuação mais clerical e centrada nos sinais eclesiásticos. No terreno prático, a presença do Papa a carregar a cruz no Coliseu concentra atenção midiática e pastoral sobre Roma naqueles dias, marcando a centralidade da cidade como palco das celebrações pascais.
Ao deixar Villa Barberini, em Castel Gandolfo, Leone XIV dirigiu‑se aos jornalistas com apelos claros: mencionou ter falado com o ex‑presidente Trump na tentativa de promover um esforço para reduzir a violência e abrir caminhos para o diálogo. Nas palavras do Pontífice — transcritas em inglês pelos presentes —, existe a esperança de que medidas práticas possam diminuir a violência e contribuir para remover o ódio crescente, inclusive no contexto cristão do Médio Oriente. "Continuarei a dirigir este apelo a todos os líderes do mundo: voltem à mesa do diálogo", disse ele, em resumo direto e sem floreios.
O conjunto das decisões tomadas para este Tríduo demonstra um braço de ferro entre tradição litúrgica e abertura pastoral. Na prática, a escolha por um rito mais clássico e por figuras clericais no momento da lavanda dos pés sinaliza a intenção de recuperar tessituras ritualísticas históricas, ao mesmo tempo em que não abdica do papel profético do Papado — expresso pelo apelo à paz e ao diálogo internacional.
Esta reportagem segue em fase de cruzamento de fontes e confirmação de detalhes protocolares, com apuração in loco e checagem junto à Sala de Imprensa da Santa Sé. Giulliano Martini, correspondente Espresso Italia — raio‑x do cotidiano e fatos brutos.