Pescadores do Adriático desligam motores: protesto contra o governo e o alto custo do combustível
Pescadores do Adriático mantêm motores desligados por atraso em reembolsos e pelo alto custo do diesel; marinhas de Chioggia a Rimini aderem à mobilização.
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Pescadores do Adriático desligam motores: protesto contra o governo e o alto custo do combustível
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Desde 1º de junho, uma mobilização que partiu de Chioggia e Caorle mantém dezenas de embarcações ancoradas no litoral do norte do Adriático. Cerca de 50 barcos permaneceram com os motores desligados na província de Veneza, exibindo lençóis brancos com mensagens como “Salvemos a pesca”, “Cansados de promessas não cumpridas”, “Burocracia lenta, bloqueia os auxílios” e “Pedimos a prorrogação do crédito de imposto”.
A decisão foi tomada em assembleia no mercado ittico de Chioggia, com participação de representantes de Pila e Goro, e a intenção é ampliar a adesão por outras marinhas adriáticas. Rimini e Termoli já confirmaram apoio.
Os pontos de discórdia são quatro e estão documentados: (1) o reembolso do crédito de imposto sobre o preço do diesel; (2) a prorrogação do decreto que institui esse benefício até, pelo menos, o final do ano; (3) o atraso nos pagamentos das compensações pelo fermo-pesca de 2024 e a imediata liquidação do referido feriado de atividade relativo a 2025; e (4) uma lista de outros financiamentos prometidos ao setor que não se concretizaram.
“Aguardamos os fundos há três meses — explica o armador de Chioggia, Elio Dall’Acqua — e até agora não recebemos nada; nem sequer nos foram fornecidos os códigos para solicitar os recursos”. O quadro é reforçado pelos armadores e pescadores que alegam trabalhar com prejuízo: com o custo do combustível em alta, a operação tornou-se insustentável.
Para dimensionar a pressão financeira sobre as embarcações, Marco Spinadin detalha: “Uma semana de saídas pode custar entre 5 e 6 mil euros. Temos empresas muito consumidoras de energia. Abrimos esta fase de protesto para que os problemas do setor sejam compreendidos e para que o governo nos apoie”.
O armador Dall’Acqua qualifica a ação como um ato demonstrativo mais do que um boicote completo: “Sabemos que a burocracia tem prazos longos, mas permanecemos confiantes. Já aderiram as marinhas de Caorle, Pila, Goro, Porto Garibaldi; outras paradas começam em 3 de junho, praticamente todo o alto Adriático”.
Em termos práticos, a pressão é exemplificada por cálculos de campo. O armador Roberto Penzo disse ao Gazzettino di Venezia que, em duas semanas de operação, encheu tanques pagando 14.600 euros em dinheiro, uma prática que reflete a ausência de crédito comercial na cadeia. Segundo Penzo, o crédito de imposto de 20% ajudaria, mas é uma medida repartida com os marinheiros — grupo mais vulnerável diante da perda de rendimento.
Os fatos brutos expõem um setor pressionado pela alta do diesel, por atrasos administrativos e por compromissos orçamentários não cumpridos. A mobilização no Adriático é uma resposta institucionalizada: assembleias locais, palavras de ordem em portos e a tentativa de estender a paralisação para forçar respostas rápidas do governo. Seguiremos o desdobramento com atualização de prazos, pagamentos e eventuais negociações entre representantes dos pescadores e autoridades nacionais.