Pierina Paganelli: cronologia investigativa do assassinato na garagem e os pontos-chave do processo
Cronologia e pontos-chave do caso Pierina Paganelli: investigação, provas e a confissão que transformou o processo.
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Pierina Paganelli: cronologia investigativa do assassinato na garagem e os pontos-chave do processo
Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes trazem, em sequência cronológica, os fatos que marcaram o caso de Pierina Paganelli, encontrada morta no garagem de sua casa em 4 de outubro de 2023. A investigação, conduzida com rigor técnico pela Promotoria, percorre cenas, interceptações e peritagens que, até agora, não eliminaram contradições essenciais.
O corpo de Pierina foi localizado pela nora, Manuela Bianchi, na manhã daquele dia. Imediatamente a polícia considerou a hipótese de feminicídio, diante da cena: o corpo sobre um brinquedo, cabelos molhados e puxados para trás, saia erguida e roupa íntima cortada. As características da cena sugeriam que a vítima não era alvo aleatório.
Nas primeiras horas as atenções recaíram sobre o ex-marido, um hoteleiro riminense; contudo, ele estava na Alemanha havia meses, o que levou a equipe a descartar a pista. A coordenação do caso ficou a cargo do procurador Paci, o mesmo magistrado que, há três décadas, interrompeu a atuação da chamada banda della Uno bianca.
A investigação passou a focalizar os condôminos e vizinhos. A poucos metros moravam Louis e sua esposa, Valeria Bartolucci, o filho Giuliano Saponi, e o casal formado por Manuela e a filha de 16 anos. Frequentava a casa também Loris Bianchi, irmão de Manuela, com quem Pierina havia mantido relações conflituosas.
Um avanço técnico importante ocorreu quando a câmera de outro garagem registrou as últimas vozes e as urros de Pierina no momento do homicídio, fixando o óbito às 22h13. Para a Promotoria, o acusado identificado como Dassilva não apresentava álibi para aquele horário. Uma interceptação feita em 4 de outubro, na sala de espera da delegacia, documentou a existência de uma relação entre Dassilva e Manuela. Na chamada “presunta confissão” — termo do juiz de garantias Vinicio Cantarini — Dassilva, pressionado por Manuela, teria respondido após longo silêncio: “não cambia niente tra di noi”.
Saíram à luz detalhes de um relacionamento extraconjugal: fotografias, inscrições em muros e mensagens cifradas. Tornaram-se públicos encontros no mesmo garagem onde ocorreu o crime. A tensão evoluiu para confronto público: a esposa e a outra mulher chegaram a se desentender em programa de TV no período próximo à prisão.
Dassilva foi preso em 16 de julho de 2024; a custódia cautelar foi confirmada em três decisões do Riesame e duas do Tribunal de Cassação. O processo foi aberto em 15 de setembro de 2026 com o réu já detido. Em nove meses de instrução, a Corte d'Assise juntou milhares de peças: interceptações, laudos periciais e documentos que incluem pedidos de ritos de vodu feitos pelo acusado a um taumaturgo senegalês, supostamente dirigidos contra agentes policiais e o próprio procurador.
Perícias técnicas somam milhares de páginas. O exame de DNA, conduzido pelo professor Emiliano Giardina, não detectou material atribuível a Dassilva. A gravação Cam3, da farmácia na via del Ciclamino, é objeto de disputa: para a Promotoria ela filmou o assassino após o crime; para o perito do Tribunal, a imagem aponta para outro condômino.
Uma peça processual decisiva foi a confissão de Manuela. Indiciada por favorecimento, ela foi ouvida por três dias e, em depoimento emocionado, admitiu ter encontrado Louis no garagem antes de descobrir o corpo de Pierina. Manuela afirmou também que Louis lhe indicou o que fazer e o que dizer à polícia. A credibilidade da nora — sustentada, segundo a Promotoria, por diversos elementos de prova — tornou-se eixo de todo o julgamento. Não houve, até o momento, confronto direto entre Louis e Manuela no processo.
Em resumo: o caso permanece marcado por provas contraditórias — relatos, interceptações e perícias que não são unívocas — e por uma narrativa processual que coloca a confissão da nora no centro da acusação contra Dassilva. A apuração prossegue, com o tribunal avaliando o conjunto probatório na busca da verdade material, sem margem para ruído interpretativo.