Polícia bloqueia cFake.com após investigação sobre vídeos 'deepfake' com mulheres públicas

Polícia italiana bloqueia cFake.com após investigação sobre vídeos 'deepfake' com mulheres públicas; cooperação com HSI e pedido ao DOJ.

Polícia bloqueia cFake.com após investigação sobre vídeos 'deepfake' com mulheres públicas

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Polícia bloqueia cFake.com após investigação sobre vídeos 'deepfake' com mulheres públicas

Por Giulliano Martini - Apuração in loco e cruzamento de fontes. A Polícia italiana, por meio do Serviço Polizia postale e para a segurança cibernética, realizou o bloqueio da plataforma cFake.com ao final de uma investigação coordenada pela Procura de Roma. A investigação identificou a publicação de imagens e vídeos de teor sexual envolvendo mulheres sem o seu consentimento, muitos deles produzidos com recurso a inteligência artificial — o chamado deepfake.

Os conteúdos apreendidos pela investigação retratavam mulheres pertencentes ao universo da política, do entretenimento, do esporte e da cultura, usadas involuntariamente como protagonistas de cenas sexualmente explícitas. O site funcionava como um fórum para adultos, em língua inglesa, organizado em seções temáticas cujo acesso dependia de uma autocertificação de maioridade.

Os peritos técnicos do Serviço Polizia postale determinaram que a infraestrutura de hosting da plataforma estava localizada nos Estados Unidos. Em novembro do ano passado, o juiz para as investigações preliminares do Tribunal de Roma, a pedido da Procuradoria, expediu um decreto de sequestro preventivo que permitiu o oscuramento do domínio em território nacional, impedindo o acesso por utilizadores italianos.

No âmbito da cooperação internacional, a agência Homeland Security Investigations (HSI), do Departamento de Segurança Interna dos EUA, informou que solicitou ao Department of Justice (DOJ) a adoção de medidas de sequestro do domínio por violação da legislação federal conhecida como Take It Down Act. A ação conjunta evidencia a coordenação entre autoridades italianas e americanas para enfrentar abusos tecnológicos transfronteiriços.

Segundo os investigadores, a operação representa um avanço significativo no combate ao abuso de tecnologias de inteligência artificial e à difusão não consensual de conteúdos sexualmente explícitos gerados artificialmente, com objetivo direto de proteger a dignidade, a imagem e os direitos das vítimas. A atividade policial incluiu análise pericial dos arquivos, rastreamento da infraestrutura e verificação documental das denúncias iniciais, que datam de outubro de 2025.

O procedimento segue linhas investigativas claras: identificação das vítimas, preservação de provas digitais, cooperação com provedores internacionais de hospedagem e ações legais para retirar do ar conteúdos ilícitos. A Procuradoria de Roma e o Serviço Polizia postale mantêm as diligências abertas para localizar responsáveis pela gestão e disseminação das publicações e para avaliar eventuais implicações penais adicionais.

Esta operação reflete o desafio técnico e jurídico colocado pela circulação de deepfakes e pela utilização maliciosa de IA em contextos de abuso e difamação. O caso cFake.com será acompanhado de perto pelas autoridades italianas e pelos parceiros internacionais para garantir a remoção permanente dos conteúdos e a responsabilização dos autores.

Relatório de progresso, documentos periciais e possíveis desdobramentos judiciais serão tornados públicos conforme o andamento das investigações e as necessidades de salvaguarda das vítimas.