Primo Maggio 2026: cortejos, concertos e mobilizações pelo trabalho digno
Primo Maggio 2026: cortejos, concertos e reivindicações por trabalho digno, proteção social e negociação coletiva em Marghera, Milão, Nápoles, Taranto e Bolonha.
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Primo Maggio 2026: cortejos, concertos e mobilizações pelo trabalho digno
Por Giulliano Martini — Em todo o país, a celebração do Primo Maggio volta a reunir cortejos, concertos e mobilizações com foco na centralidade do trabalho digno. A edição deste ano tem como fio condutor a reivindicação por empregos seguros, bem remunerados e com direitos assegurados frente às transformações do mercado e à expansão da inteligência artificial.
As manifestações centrais ocorreram em Marghera, na província de Veneza, onde os secretários-gerais da CGIL, CISL e UIL — Maurizio Landini, Daniela Fumarola e PierPaolo Bombardieri — fizeram os discursos oficiais. No cerne das intervenções esteve a necessidade de revalorizar o trabalho, combater contratos pirata e novas formas de exploração, além de exigir regulação e negociações coletivas diante das mudanças tecnológicas.
O tema do trabalho digno também foi a tônica do tradicional concertone em Piazza San Giovanni, o maior evento musical gratuito ao vivo da Europa, pensado especialmente para o público jovem e integrado às comemorações desde 1990.
Em comunicado conjunto, as três confederações sindicais reforçaram que "novos direitos e novas tutelas, valor da negociação coletiva, dignidade das pessoas, qualidade do emprego, papel democrático das relações industriais e da representação" são prioridades para um plano de políticas industriais e investimentos que gerem desenvolvimento sustentável e emprego de qualidade.
CGIL, CISL e UIL lançaram um apelo para colocar no centro a primazia do trabalho estável, bem remunerado e contratualizado como instrumento de justiça social e gestão equitativa das transformações em curso, buscando coesão e crescimento.
As mobilizações locais
Milão: CGIL Milano, CISL Milano Metropoli e UIL Lombardia organizaram o cortejo tradicional nas ruas do centro sob a bandeira "Lavoro Dignitoso". A mobilização pede uma negociação coletiva mais forte, novas proteções e direitos adaptados à era da inteligência artificial. O trajeto começou às 9h30 em Corso Venezia, no cruzamento com via Palestro, e encerrou em Piazza della Scala por volta das 11h00.
Nápoles: No bairro de Bagnoli, ativistas da Villa Medusa promoveram um cortejo que partiu às 10h de Piazzale Tecchio em direção à Piazza del Mare. A partir das 14h, o local recebeu um almoço popular, apresentações musicais e atividades culturais.
Taranto: No Parco Archeologico delle Mura Greche, aconteceu o concerto "Uno Maggio Libero e Pensante", com direção artística de Michele Riondino, Diodato, Roy Paci e Valentina Petrini. Entre os nomes anunciados estiveram Subsonica, Brunori Sas, Margherita Vicario, Gemitaiz, Marco Castello e Giorgio Poi. A jornalista e pesquisadora Francesca Albanese foi convidada como presença especial.
Bologna: Piazza Maggiore recebeu novamente o grande concerto gratuito organizado por CGIL Bologna e CISL Area Metropolitana Bolognese, com apoio da Arci Bologna. As apresentações iniciaram às 16h e seguiram por oito horas, até a meia-noite.
O balanço desta jornada, compilado a partir de apuração in loco e cruzamento de fontes sindicais e organizadoras, retrata uma Festa do Trabalho marcada por uma agenda reivindicativa clara: regulamentação do trabalho na era digital, combate às formas de exploração e fortalecimento da negociação coletiva como instrumento de proteção social.