Quatro detidos na Úmbria: seita prometia 'cura' e extorquia adeptos

Quatro presos na Úmbria por integrar seita que prometia curas; investigação aponta extorsão de €500 mil, fraudes e violência sexual.

Quatro detidos na Úmbria: seita prometia 'cura' e extorquia adeptos

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Quatro detidos na Úmbria: seita prometia 'cura' e extorquia adeptos

Por Giulliano Martini — A investigação que levou ao fermo de quatro pessoas na região da Úmbria teve início a partir da denúncia de um pai preocupado. O jovem, segundo o relato inicial, passou a frequentar cursos de alquimia ministrados por um autodenominado “mestre” e acabou sendo convencido a mudar de vida: deixou emprego, amigos e familiares para integrar uma estrutura organizada pelo grupo, primeiro em Pesaro e depois em território umbriense.

As apurações, coordenadas pela Procuradoria de Perugia, adotaram técnica padrão de investigação: interceptações telefônicas e telemáticas, pedinamentos, exame de testemunhos e cruzamento de dados bancários. O trabalho policial permitiu identificar uma organização com hierarquia definida, chefiada por um homem de 56 anos, com a colaboração de outros três integrantes, entre eles uma mulher. Contra os quatro foram cumpridos os fermos, depois validados pelo juízo de garantias.

O material probatório reunido descreve papéis distintos dentro do grupo: havia quem atuasse no recrutamento de novos adeptos — inclusive com ameaças caso a pessoa tentasse deixar o percurso proposto — e quem organizasse ritos apresentados como práticas curativas. A permanência na associação estava condicionada a pagamentos periódicos; a análise das movimentações financeiras e dos depósitos indicou transferências e entregas de bens que, somadas, chegam a cerca de 500 mil euros em dinheiro e joias a favor dos chamados “mestres”.

Em um dos episódios relatados nas investigações, o líder de 56 anos, segundo os indícios, teria coagido uma mulher em condição de fragilidade a manter relações sexuais sob a justificativa de um rito de “purificação da alma”. Essa narrativa integrou o conjunto probatório que motivou as medidas cautelares.

Face à gravidade dos indícios e ao risco concreto de fuga, os quatro foram conduzidos às casas prisionais de Perugia e Poggioreale. Entre as acusações que lhes são imputadas estão associação criminosa, fraude, extorsão e violência sexual.

Do ponto de vista processual, o caso seguirá com a avaliação do Ministério Público de Perugia sobre a necessidade de dilatações probatórias e eventual levantamento do sigilo das escutas. A investigação, com base em provas técnicas e testemunhais, aponta para uma estrutura voltada à exploração econômica e psicológica de adeptos, máscaraada por práticas esotéricas.

Esta reportagem adotou método de verificação direta: foram cotejadas informações oficiais da polícia, despacho do Ministério Público e relatos de familiares. Mantém-se a separação estrita entre fatos apurados e eventuais versões em fase de investigação. Continuaremos acompanhando o desdobramento processual e eventuais medidas cautelares adicionais.