Relatório Antigone: crise nas prisões italianas aumenta violência, isolamento e suicídios
Relatório Antigone revela aumento de violência, isolamento e suicídios nas prisões italianas; mais de 60% dos detentos passam o dia em cela.
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Relatório Antigone: crise nas prisões italianas aumenta violência, isolamento e suicídios
Por Giulliano Martini. Apuração e cruzamento de fontes: o XXII Relatório de Antigone, intitulado "Tutto chiuso", traça um panorama rigoroso sobre a deterioração das condições nas prisões italianas e associa o endurecimento das regras internas a um aumento significativo da violência e dos casos de suicídio.
Segundo o documento, a progressiva contenção das atividades e a adoção de medidas restritivas determinaram que, hoje, mais de 60% dos detentos permaneçam praticamente o dia todo confinados em cela. Apenas 22,5% estão alocados em seções com sorvegliança dinâmica, modelo que permite mobilidade e interação monitorada entre reclusos e agentes.
O relatório aponta que, nos últimos meses, várias circulares do Departamento da Administração Penitenciária limitaram ainda mais movimentos, atividades e contatos externos — medidas que, na avaliação da ONG, aumentaram a tensão ao invés de conter riscos.
Os dados compilados e verificados por Antigone mostram uma escalada da violência: as agressões contra agentes da Polícia Penitenziária tiveram aumento de 12,4%, de 2.154 para 2.423 incidentes. Mais grave é a evolução das agressões entre presos, que subiram de 3.356 em 2021 para 5.812 em 2025 — um acréscimo de 73%. Atos que perturbam a ordem e a segurança cresceram 27,6%.
O balanço em relação aos suicídios é alarmante: pelo menos 82 detentos tiraram a própria vida em 2025; desde o início de 2026, já são 24 suicídios. No total, em menos de um ano e meio, 106 pessoas privadas de liberdade morreram por suicídio. Esses números, para Antigone, refletem o efeito direto do "carcere fechado": isolamento, apatia e aumento da conflitividade que fragilizam a função constitucional da pena e ampliam a insegurança dentro e fora dos estabelecimentos.
Em relatório técnico, a ONG sublinha que a justificativa das autoridades para as medidas — segurança interna — contradiz os resultados práticos. "As medidas tomadas com suposta finalidade de aumentar a segurança acabaram por incrementar a tensão", afirma o documento, que registra pedidos da própria Polícia Penitenziária por um retorno a modelos mais abertos.
Frente a esse quadro, Antigone apresenta um conjunto de propostas imediatas e estruturais: um "plano Marshall" para reabrir as prisões à vida social com vistas ao verão, retirada das circulares que impuseram clausura, ações urgentes para reduzir o sovraffollamento, ampliação do acesso a medidas alternativas à detenção, uso ampliado do Conselho de Disciplina para concessão de benefícios (inclusive indulto), acesso facilitado à detenção domiciliar para penas residuais inferiores a 12 meses, investimentos em formação profissional e trabalho, reativação de seções de ensino médio e polos universitários, práticas esportivas ao ar livre, restauração de modelos de custódia aberta e da sorvegliança dinâmica, telefonemas diários, redução do uso do isolamento e restrição da vigilância especial abusiva, e intervenções imediatas para prevenção de suicídios com comunicação imediata aos familiares.
O relatório de Antigone é um raio‑x do cotidiano prisional com base em números e documentos oficiais. A entidade pede mudança de abordagem ao governo e medidas concretas para restaurar a função reeducadora da pena e conter a crise estrutural de segurança e direitos que se delineia no sistema penitenciário italiano.