Relatório UNESCO: 128 jornalistas mortos em 2025; 9 já em 2026 na véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
Relatório UNESCO: 128 jornalistas mortos em 2025 e 9 em 2026. ONU, IFJ e UE exigem investigação e proteção efetiva à liberdade de imprensa.
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Relatório UNESCO: 128 jornalistas mortos em 2025; 9 já em 2026 na véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
Liberdade de imprensa em xeque: o relatório divulgado à véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa revela que foram 128 jornalistas mortos em 2025 e que, até o momento de balanço divulgado, nove profissionais perderam a vida em 2026. Os dados constam do levantamento conjunto de organizações internacionais e foram reafirmados por entidades de classe durante as comemorações e alertas públicos desta data.
Em linguagem direta e sem rodeios, a Federação Internacional dos Jornalistas (IFJ) e a UNESCO destacam que cada agressão a um profissional dos meios é uma tentativa de silenciar informações essenciais à sociedade. A afirmação do secretário-geral da IFJ, Anthony Bellanger, foi clara: “cada ataque a um profissional dos media é um ataque para calar uma notícia que serve para informar os cidadãos”.
Na Itália, o reconhecimento oficial da data ganhou reforço: o Senado aprovou por unanimidade, em 29 de abril de 2026, um projeto de lei que institui o dia 3 de maio como data anual de lembrança dos jornalistas mortos no exercício da profissão. A medida vem na esteira dos alertas internacionais sobre a crescente violência e intimidação dirigida a quem cobre temas de interesse público.
Em pronunciamento institucional, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, reiterou que “a democracia não pode existir sem uma imprensa livre” e sublinhou a necessidade de proteção legal efetiva. Segundo Kallas, o cenário dos últimos anos — notadamente a cobertura das guerras, como a agressão russa à Ucrânia, e os recentes conflitos no Médio Oriente, incluindo Gaza e Líbano, além de episódios na África — evidenciou a agenda letal enfrentada por jornalistas. Ela pediu investigações aprofundadas e responsabilização dos culpados.
O relatório da UNESCO, cruzado com dados da IFJ, aponta duas tendências centrais: a violência direta contra profissionais nas zonas de conflito e a erosão do ambiente democrático por meio de intimidações online e offline. Entre os mecanismos identificados estão processos judiciais estratégicos (conhecidos como SLAPP), campanhas de difamação nas redes, ameaças e expulsões. O efeito combinado tem sido a autocensura e a redução do espaço para o jornalismo investigativo.
O documento também condena com ênfase a repressão promovida por regimes autoritários, citando episódios de violência e perseguição persistentes — com menção explícita ao tratamento dado a jornalistas no Irã — e pede que governos estabeleçam quadros jurídicos robustos para evitar processos judiciais abusivos e garantir proteções efetivas.
Da nossa apuração: fontes da IFJ e da UNESCO reforçam que a resposta eficaz passa por três frentes concretas — investigação independente de crimes contra jornalistas, responsabilização judicial dos autores e medidas de proteção preventiva, inclusive para correspondentes em zonas de guerra. Sem esses elementos, alerta o relatório, o direito à informação continuará fragilizado.
O raio‑X do cotidiano entregue pelo relatório é simples e duro: enquanto houver impunidade e fragilidade legal, aumentam os riscos para quem faz jornalismo. A data de 3 de maio, agora formalizada por lei nacional na Itália, busca manter a memória das vítimas e transformar lembrança em políticas públicas concretas. A realidade traduzida pelo relatório exige ação imediata, fiscalização e compromissos institucionais — nada menos que isso.
Este é o panorama confirmado pelas organizações internacionais — dados brutos, cruzamento de fontes e exigência de responsabilidade. A liberdade de imprensa, e a segurança dos profissionais que a sustentam, permanecem um termômetro da saúde democrática.