Ricina em sangue confirma: mãe e filha foram envenenadas; investigação apura homicídio premeditado

Laudo confirma ricina: mãe e filha de Pietracatella foram envenenadas; promotor quer esclarecer onde e como a substância foi administrada.

Ricina em sangue confirma: mãe e filha foram envenenadas; investigação apura homicídio premeditado

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Ricina em sangue confirma: mãe e filha foram envenenadas; investigação apura homicídio premeditado

Por Giulliano Martini. Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: três meses após os fatos, não há dúvidas técnicas — Antonella Di Jelsi e a filha Sara Di Vita foram intencionalmente envenenadas com ricina.

O laudo toxicológico identificou traços inequívocos do poderoso veneno, inodoro e insípido, no sangue das vítimas. A descoberta afasta a hipótese inicial de uma simples intoxicação alimentar ocorrida durante a ceia de Natal e transforma o caso em um inquérito por homicídio premeditado contra ignotos, conduzido pela Promotoria de Larino.

Segundo a investigação, quem atuou contra as duas vítimas pode ter mirado, além delas, a eliminação de membros da família residente em Pietracatella, vila de cerca de 1.200 habitantes que passou do luto ao estupefato em poucos dias.

Na noite dos episódios letais, entre a noite de 27 e a manhã de 28 de dezembro, também estiveram em risco outros integrantes do lar. Gianni, marido e pai, foi internado no Hospital Spallanzani, em Roma, enquanto a filha mais velha da família não participou da refeição e, segundo apurações, foi poupada do envenenamento.

A linha de investigação privilegia agora esclarecer o momento exato da ingestão e o veículo usado para dissolver a substância — se em algum prato específico da ceia ou em bebida. A casa da família permanece sob sequestro para nova vistoria da perícia; a ciência forense buscará resíduos em louças, talheres e recipientes.

Foram descartadas, nas primeiras fases, hipóteses como botulismo, fungos tóxicos, pesticidas ou outras químicas comumente associadas a intoxicações agudas. O inquérito migrou então para uma rede complexa de análises laboratoriais: amostras de órgãos passaram pelo Policlínico de Bari, a parte toxicológica foi avaliada pelo Centro Antivenenos Maugeri de Pavia, e matrizes alimentares foram examinadas no Instituto Zooprofilático. Exames complementares envolveram um laboratório suíço e consultas a pesquisas e casos semelhantes nos Estados Unidos, onde a ricina teve protagonismo em envenenamentos notórios.

Até o episódio da confirmação, a investigação havia considerado hipótese de erro médico e a possibilidade de hepatite fulminante, diante das idas repetidas das vítimas ao hospital com febre alta, vômitos intensos e quadro de intoxicação aguda. O rápido óbito da mãe e da filha — em poucas horas de diferença — levantou inicialmente questões clínicas que só depois deram lugar ao trabalho toxicológico detalhado.

O advogado Paolo Lanese, que representa o irmão de Antonella Di Jelsi, declarou: “Estamos surpresos; jamais imaginaríamos um desenvolvimento dessa natureza”. A frase traduz, em termos legais e sociais, a perplexidade de uma comunidade que via naquela família um exemplo de normalidade e decoro.

Medidas processuais em curso buscam agora rastrear o ponto de origem da exposição e potenciais testemunhas ou imagens que possam situar o momento em que a substância foi introduzida. A Promotoria de Larino requereu a reanálise de materiais e ampliou a cooperação internacional para reconstituir a dinâmica do envenenamento e identificar os responsáveis.

Fatos brutos, perícia reforçada e investigação técnica permanecem no centro do procedimento. A realidade traduzida pelas evidências indica um crime dirigido e calculado; o processo segue sob sigilo, com foco em provas científicas que permitam imputar responsabilidade criminal.