Riesame em Milão: Cinturrino diz que atirou por medo e nega intenção de matar Mansouri

No Riesame de Milão, policial Cinturrino afirma ter atirado por medo e nega premeditação na morte de Mansouri; decisão do tribunal sai em dias.

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Riesame em Milão: Cinturrino diz que atirou por medo e nega intenção de matar Mansouri

Em audiência de duas horas no Tribunal do Riesame de Milão, o policial Carmelo Cinturrino, preso desde 23 de fevereiro, reiterou sua versão sobre a morte de Abderrahim Mansouri. Acusado de homicídio voluntário agravado — incluindo a alegação de premeditação — Cinturrino defendeu-se afirmando que disparou por medo e que não houve intenção de matar: "foi uma trágica fatalidade", disse, segundo relato de sua defesa.

O assistente‑chefe compareceu ao ato acompanhado pela Polícia Penitenziária. Na audiência destinada a avaliar o pedido de substituição da custódia em prisão preventiva por prisão domiciliar, a defesa reforçou que apresentou investigações complementares, com declarações de outros agentes que estavam em Rogoredo na noite do episódio e uma relatório preliminar apontando que o disparo teria ocorrido a cerca de trinta metros de distância.

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Segundo a narrativa trazida pela acusação — sustentada pelos procuradores Marcello Viola e Giovanni Tarzia, que pediram incidente probatório para ouvir oito testemunhas e cristalizar depoimentos —, estaria configurada a intenção de matar e a violação dos deveres inerentes à função pública. Cinturrino admite ter colocado a arma junto ao corpo para simular legitima defesa, mas nega a reconstrução apresentada pelo Ministério Público.

O inquérito é amplo. Além da imputação central relacionada à morte de Mansouri, o policial responde por mais de 30 acusações que incluem extorsão, arrestos ilegais, tráfico de drogas, concussão, roubo, sequestro, calúnia, agressões, desvio de provas (depistaggio) e falsidade. Outros seis agentes lotados no mesmo comissariado estão sob investigação por alegados crimes que vão desde favorecimento e omissão de socorro até falsidade e extorsão.

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As apurações da Promotoria revelaram um quadro de operações limítrofes, com indícios de racket, espancamentos e abusos, associados a uma gestão irregular das áreas de tráfico entre Rogoredo e Corvetto. Diante deste contexto, a Procuradoria deve pedir a manutenção da prisão preventiva de Cinturrino. A decisão do Riesame é aguardada nos próximos dias.

Em declarações registradas como espontâneas e reproduzidas pela defesa, Cinturrino afirmou que estava com medo em "uma má zona da cidade, em determinado horário da noite, no escuro"; acrescentou que não mantinha relação pessoal com Mansouri, conhecendo‑o apenas por foto de identificação policial. Seus advogados, que acompanham o pedido de incidente probatório e as alegações de testemunhas policiais, sustentam que há elementos a serem verificados que podem alterar a interpretação dos fatos.

Do lado do Ministério Público, a linha é oposta: a gravação das oitivas e a cristalização dos depoimentos foram solicitadas para preservar elementos que, segundo a acusação, apontam para condutas deliberadas e reiteradas no âmbito das funções públicas exercidas pelo investigado. O processo agora seguirá o crivo do Riesame, com atenção específica à análise dos sinais de premeditação e às provas técnicas sobre a dinâmica do disparo.

Relato direto, cruzamento de fontes e acompanhamento processual continuarão a pautar a cobertura deste caso, que reúne questões sobre uso da força policial, legalidade de operações e responsabilidade institucional nas zonas mais conflituosas de Milão.

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