Em Roma, INPGI inaugura exposição 'A schiena dritta' para defender o ofício da liberdade

Exposição no INPGI em Roma reúne mais de 60 peças e homenageia jornalistas mortos, refletindo sobre jornalismo, memória e defesa da liberdade.

Em Roma, INPGI inaugura exposição 'A schiena dritta' para defender o ofício da liberdade

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Em Roma, INPGI inaugura exposição 'A schiena dritta' para defender o ofício da liberdade

Roma — Na sede do INPGI em Roma foi inaugurada a mostra “A schiena dritta. Tutelare il mestiere della libertà”, um inventário visual e documental que reúne mais de 60 peças — fotografias, objetos, máquinas e documentos — traçando um percurso do jornalismo italiano dos anos 1960 ao início dos anos 2000. A exposição busca oferecer um olhar claro sobre a profissão e lembrar, com rigor, o preço pago por quem investiga e informa.

O acervo exposto contém imagens do fotorreporter Franco Lannino, uma histórica máquina telefoto e a câmera pertencente a Miran Hrovatin, homem de imagem morto ao lado de Ilaria Alpi em Mogadíscio, em 20 de março de 1994. Entre os objetos pessoais, destacam-se quatro máquinas de escrever que pertenceram a fiduciários do INPGI, inclusive a máquina de Giancarlo Siani.

Além das máquinas, a mostra integra um vídeo histórico sobre o instituto, três painéis em preto e branco impressos em Forex e uma vitrine com objetos, documentos, atas e recortes de jornais da época. O conjunto foi montado para permitir uma leitura cronológica e temática: os instrumentos do ofício, os riscos enfrentados na apuração e a memória dos profissionais que deram a vida pelo relato dos fatos.

O projeto expográfico propõe uma reflexão sobre a história e o presente da categoria, colocando no centro os repórteres e as dificuldades que compõem a rotina do trabalho jornalístico. A curadoria enfatiza a importância da liberdade de imprensa e da proteção profissional frente às transformações tecnológicas e às novas formas de precarização do mercado.

Em memória, a mostra presta homenagem aos jornalistas assassinados no exercício da profissão: Cosimo Cristina — considerado o primeiro repórter morto pela máfia em 1960 — além de Mauro De Mauro, Giovanni Spampinato, Peppino Impastato, Mario Francese, Giuseppe Fava, Mauro Rostagno e Beppe Alfano. A seleção inclui também recordações do sacrifício de Walter Tobagi, Giancarlo Siani, Ilaria Alpi e Maria Grazia Cutuli, morta no Afeganistão em 2001. Figuras simbólicas como Giuseppe Quatriglio — que cobriu o terremoto do Belìce em 1968 — são relembradas pela contribuição ao relato público.

A cerimônia de inauguração contou com declaração de Lucia Borgonzoni, Subsecretária de Cultura, que afirmou que a celebração dos cem anos do INPGI é também a reafirmação do valor do jornalismo como pilar da democracia. Borgonzoni sublinhou a necessidade de conjugar novas competências tecnológicas com garantias previdenciárias e proteções laborais adequadas, lembrando os profissionais que perderam a vida em serviço como uma exigência ética da coletividade: defender a liberdade de informação.

Em paralelo às iniciativas expositivas, o Ministério das Imprese e del Made in Italy emitiu um selo postal comemorativo, pertencente à série temática “I Valori sociali”, para marcar o centenário do Instituto Nazionale di Previdenza dei Giornalisti Italiani “Giovanni Amendola” (INPGI), entidade que, desde 1926, administra contribuições previdenciárias, pensões e prestações de assistência e welfare específicas para a categoria dos jornalistas freelancers.

O conjunto da mostra funciona como um arquivo de referência e como um instrumento de memória ativa: não se trata apenas de preservar objetos, mas de colocar em evidência o vínculo entre o ofício do repórter e a qualidade da democracia. Apuração in loco, cruzamento de fontes e fatos brutos compõem o fio condutor desta narrativa; a exposição pretende ser, nas palavras dos organizadores, um raio-x do cotidiano profissional e uma limpeza de narrativas que resgata a verdade sem sentimentalismo.

Serviço: a exposição “A schiena dritta” está aberta ao público na sede do INPGI em Roma. Consulte horários e programação de visitas guiadas junto à organização.