Sal Da Vinci em 'Belve': resposta firme às críticas sobre Sanremo e a polêmica sobre repertório da camorra
Sal Da Vinci responde críticas sobre Sanremo em Belve: diz não reconhecer 'repertório da camorra' e se prepara para representar a Itália no Eurovision.
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Sal Da Vinci em 'Belve': resposta firme às críticas sobre Sanremo e a polêmica sobre repertório da camorra
Por Giulliano Martini — Em entrevista a Francesca Fagnani no programa Belve, o cantor Sal Da Vinci tratou com franqueza as controvérsias que se seguiram à sua vitória no Sanremo e projetou-se para o compromisso internacional: representará a Itália no Eurovision. A conversa, realizada poucos dias antes do festival europeu, alternou entre ironia controlada e respostas diretas a provocações de imprensa.
Ao ser questionado sobre o debate público em torno do texto da sua canção — um tema que mobilizou até assinaturas de peso no jornalismo cultural —, Sal classificou a reação como excessiva. "Eh, troppo!", disse, apontando que algumas análises foram desproporcionais ao sentido da obra.
O ponto central da discórdia foi a observação do colunista Aldo Cazzullo, que sugeriu: a canção poderia ser "a colonna sonora di un matrimonio della camorra". Sal Da Vinci respondeu com precisão investigativa: "Ma perché c’è un repertorio delle canzoni della camorra?". O artista afirmou que optou por não replicar às provocações e pediu explicitamente aos seus fãs que fizessem o mesmo, evitando inflamar o tema nas redes.
Fagnani lembrou ainda que, conforme Cazzullo, músicas no mesmo tom costumavam ficar mais discretas nas classificações — lembrando, por exemplo, posições secundárias de canções populares do passado. Sal reagiu com uma exigência de respeito pelos eleitores: "È come dare dell'imbecille a chi mi ha votato". A declaração traduz uma defesa clara do vínculo entre artista e público: questionar o mérito do vencedor seria, na visão do cantor, menosprezar quem votou.
A entrevista não foi apenas balanço de polêmicas. Houve espaço para autocrítica e humor. Fagnani destacou a letra de Per Sempre Sì com um tom provocador — perguntando sobre a curiosidade de "um tuffo dove il mare è più blu" e envolvendo figuras conjugais hipotéticas — ao que Sal respondeu com leveza: "Lei non mi ha mai detto niente e quindi neanche io le ho detto nulla", acompanhado de riso, desmontando interpretações literais do texto.
O repórter também conduziu um relato pessoal menos polêmico: Sal contou, divertindo-se, sobre uma estadia em Trani em que acreditou ter um hóspede invisível no quarto do hotel. O episódio serviu para humanizar o artista além das manchetes, mostrando rotina e estranhezas de quem viaja em torno de compromissos profissionais.
Do ponto de vista jornalístico, a entrevista de Belve funcionou como um raio-x do momento de Sal Da Vinci: entre defesa pública do seu repertório, pedido de contenção aos apoiadores e preparação para o palco europeu. Permanecem os fatos: a vitória em Sanremo, o convite ao debate público e a nomeação para o Eurovision. A atitude do artista foi clara e medida — um retrato de resposta institucionalizada à crítica, que privilegia o respeito ao eleitorado e a não-escalada das provocações.