Sánchez justifica ausência da Espanha no Eurovision 2026: “Estamos do lado certo da história”
Sánchez defende ausência da Espanha no Eurovision 2026: 'silêncio não é opção' diante de guerra e violações em Gaza e Líbano. Entenda a decisão.
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Sánchez justifica ausência da Espanha no Eurovision 2026: “Estamos do lado certo da história”
Por Giulliano Martini — Em declarações divulgadas em vídeo nas redes sociais, o primeiro‑ministro espanhol Pedro Sánchez explicou a decisão de Madrid de não participar da final do Eurovision Song Contest 2026, marcada para 16 de maio em Viena. A ação espanhola foi anunciada meses atrás pela emissora pública RTVE e ganha agora defesa explícita do chefe de governo.
Com a segunda semifinal concluída na noite de 14 de maio, a lista das 25 nações classificadas para a final ficou completa. Entre elas não estará a Espanha, que — por ser integrante do grupo conhecido como Big 5 (junto com Itália, Alemanha, Reino Unido e França) — teria vaga garantida. Madrid optou, porém, por se ausentar junto com países como Islândia, Irlanda, Países Baixos e Eslovênia, em protesto pela presença de Israel no festival.
No vídeo, Sánchez afirmou de forma direta: “Diante de uma guerra ilegal e de um genocídio, o silêncio não é uma opção. Não podemos permanecer indiferentes ao que continua a acontecer em Gaza e no Líbano”. Para o premiê, a postura espanhola é uma questão de “coerência, responsabilidade e humanidade”.
O chefe do Executivo recordou precedentes: a exclusão da Rússia do evento após a invasão da Ucrânia, uma medida que teve o apoio da Espanha na ocasião. “Esses princípios devem ser aplicados de maneira consistente — não pode haver dois pesos e duas medidas”, declarou Sánchez, vinculando a resolução cultural do país ao seu compromisso com os direitos humanos e o direito internacional.
Fontes em Madrid confirmam que a decisão de RTVE foi tomada após debate interno e foi comunicada à direção do festival com antecedência. Oficialmente, a justificativa combina posicionamento político e simbologia cultural: o Eurovision nasce com a intenção declarada de promover a paz e a união entre povos, e a ausência da Espanha, segundo Sánchez, é uma forma de expressar repúdio a atos que, na avaliação de seu governo, violam normas internacionais.
O movimento também repercute junto aos públicos. Organizações de fãs e ativistas em diversos países anunciaram distanciamento do festival e da sua edição deste ano — um fator que, segundo analistas, pode alterar o tom do evento e a cobertura midiática na véspera da final em Viena.
Em tom objetivo, a posição oficial espanhola se apresenta como uma escolha calculada: não apenas uma retirada simbólica, mas uma tomada de posição pública alinhada a decisões passadas em crises geopolíticas que envolveram o Festival. Sánchez encerrou a mensagem afirmando que, embora a Espanha “não esteja em Viena”, o país age com a convicção de estar “do lado certo da história”.
Apuração cruzada por esta redação confirma as datas das semifinais e da final, a condição da Espanha como membro do Big 5 e a lista dos países que, segundo comunicados oficiais, também decidiram não participar em protesto. A cobertura prosseguirá com atualizações sobre repercussões diplomáticas e culturais nos dias que antecedem a final.