Save The Children: 1 em cada 10 menores nas grandes cidades vive em áreas socioeconômicas degradadas
Save The Children: 10,3% dos menores nas 14 cidades metropolitanas vivem em áreas vulneráveis, com evasão escolar e pobreza alarmantes.
RESUMO ✦
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Save The Children: 1 em cada 10 menores nas grandes cidades vive em áreas socioeconômicas degradadas
Relatório inédito da Save The Children revela que, nos municípios-capitais das 14 cidades metropolitanas italianas, 1 menor em cada 10 (10,3%, cerca de 142 mil crianças e adolescentes) vive em áreas de desagio socioeconômico urbano (ADU). São territórios marcados por índices de abandono escolar e de evasão que duplicam os observados em outras zonas urbanas.
O levantamento identifica que Roma, Milão, Nápoles, Turim e Palermo concentram quase 73,5% dos menores residentes em ADU. Apenas Roma abriga pouco mais de um quinto desse contingente — mais de 30 mil jovens de 0 a 17 anos. Esses dados emergem do cruzamento de fontes estatísticas e da pesquisa de campo realizada pela organização, apresentada na véspera do evento 'Impossibile 2026', realizado em 21 de maio no Acquario Romano, em Roma.
Nas áreas mapeadas — 158 zonas identificadas pelo ISTAT — a situação socioeducativa é severa: 42,3% das famílias vivem em pobreza relativa e mais de um entre três jovens de 15 a 29 anos (35,6%) não estuda nem trabalha, ante 22,9% da média dos demais municípios. No plano escolar, as diferenças se acentuam: 15,4% dos alunos do ensino secundário (mais de um em sete) abandonou a escola ou repetiu o ano, o dobro da média de 7,6% das cidades metropolitanas.
O risco de evasão implícita é particularmente elevado: 20,8% dos estudantes do último ano do ensino fundamental que vivem em ou perto de áreas vulneráveis estão em situação de risco — dez pontos percentuais acima da média municipal, que é de 11%. A pesquisa amostral de Save The Children também mostra que 16,7% dos alunos do último ano do fundamental não dispuseram do material escolar necessário no início do ano (contra 10,5% nas outras áreas), e 17,3% deixaram de participar de uma viagem escolar por motivos econômicos (frente a 7,6%).
As escolhas de percurso escolar refletem as desigualdades: apenas 36,5% dos alunos de 13 anos nas ADU acreditam que se matricularão no ensino médio, contra 66,9% dos que vivem em bairros menos vulneráveis — um recuo de três décadas em termos de oportunidades dentro da mesma cidade.
Além dos indicadores materiais, pesa o fator simbólico. Quase metade dos estudantes das periferias vulneráveis (49,1%) sente que seu bairro é julgado negativamente, comparado a 29,5% nas demais zonas. A percepção de insegurança também é maior: apenas 51,9% das meninas nas áreas marginais declaram sentir-se seguras, ante 75% entre as alunas de áreas menos marginalizadas. Ao mesmo tempo, esses jovens relatam sentimentos contraditórios: 78,4% dizem sentir-se felizes e 75,3% afirmam sentir-se livres, e muitos expressam forte sentimento de pertencimento ao próprio bairro, formulando propostas concretas para melhoria.
Em termos de recomendação, a Save The Children pede intervenções estruturais imediatas, com alocação de recursos para espaços socioeducativos nas zonas mais vulneráveis, políticas voltadas à redução da pobreza relativa familiar e ações específicas para conter a evasão escolar. A apuração in loco e o cruzamento de dados apontam que as desigualdades entre bairros da mesma cidade chegam a reproduzir os hiatos clássicos entre Norte e Sul do país.
Relato técnico, sem adornos: os números revelam que a disputa por igualdade começa nas escolas e nos espaços públicos. Remover barreiras materiais e simbólicas nas áreas de deserção socioeconômica urbana é condição necessária para alterar trajetórias de vida que hoje se encerram prematuramente em abandono e exclusão.