Trump diz ter evitado ataques massivos ao Irã após pedido de negociações sobre Hormuz; Teerã nega tratativas
Trump afirma ter suspendido ataques ao Irã após pedidos de aliados; diz haver acordo sobre Hormuz — Teerã nega negociações. Impacto imediato nos preços do petróleo.
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Trump diz ter evitado ataques massivos ao Irã após pedido de negociações sobre Hormuz; Teerã nega tratativas
Por Giulliano Martini – Apuração in loco e cruzamento de fontes. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou neste domingo que ordenou a suspensão de raids anunciados contra o Irã após pressões de aliados do Golfo e mediadores, que teriam pedido a retomada da via diplomática em vez da escalada militar. Segundo o mandatário, existe um acordo preliminar sobre o Estreito de Hormuz e estão previstas negociações sobre a desnuclearização ainda na tarde de hoje. Teerã, contudo, negou que qualquer negociação esteja em curso.
Em entrevista a jornalistas a bordo do Air Force One, ao retornar de seu campo de golfe no New Jersey, Trump disse que as conversas com Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e com o próprio Irã teriam levado ao impasse atual: "Eles (o Irã) sabiam que o ataque americano em preparação teria sido o maior desde a Segunda Guerra Mundial, teria sido desastroso. Acredito que o país não seria nem reconstruível", declarou o presidente.
O objetivo, acrescentou o presidente, "não é matar, mas negociar um acordo". Trump afirmou ainda que foi o Irã — e também outros interlocutores do Golfo — quem lhe perguntou se o ataque deveria prosseguir, e que a resposta coletiva foi a preferência por uma solução diplomática: "Preferiríamos de longe um entendimento a um ataque, porque não se sabe onde essas iniciativas possam levar".
O anúncio de suspensão dos ataques teve reflexo imediato nos mercados energéticos: o preço do petróleo recuou de forma acentuada. O WTI registrou queda de cerca de 5,88%, sendo negociado abaixo de US$ 80 por barril (US$ 79,75), enquanto o Brent cedeu 5,03%, cotado a US$ 83,51 por barril.
Apesar da versão americana, o Ministério das Relações Exteriores do Irã foi categórico: "No momento não estão em curso negociações com os Estados Unidos", afirmou a pasta. O porta-voz iraniano, Esmail Baghaei, sustentou que o Estreito de Hormuz "não voltará jamais à situação pré-bélica" e qualificou as conversas com Omã como negociações sobre uma "nova rota marítima", não sobre reabertura ou condições de trânsito que correspondam ao status anterior.
Fontes diplomáticas consultadas pelo nosso escritório confirmam que o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman manteve contato telefônico com Trump pedindo desescalada, e que o Catar teria apresentado uma proposta para reabrir o Estreito. O Irã, por sua vez, manifestou disponibilidade para dialogar, mantendo porém a posição de fechamento parcial das rotas, segundo as autoridades iranianas.
O quadro permanece marcado por divergências fundamentais: controle das rotas comerciais, tarifas de trânsito e garantias de segurança. No terreno dos fatos brutos, a situação é de alta volatilidade geopolítica e econômica, com a possibilidade de novos episódios que podem alterar profundamente o tráfego petrolífero internacional.
Esta redação seguirá acompanhando o desenrolar dos contatos diplomáticos, com cruzamento permanente de informações entre fontes oficiais em Washington, Riad, Doha, Abu Dhabi e Teerã, para atualizar o leitor sobre qualquer confirmação ou contradita nos próximos movimentos.