Webuild domina a Ligúria: R$ 14 bilhões em grandes obras e novo túnel subportuário
Webuild concentra quase 14 bilhões em obras na Ligúria; novo túnel subportuário de Gênova amplia presença e reabre debates sobre prioridades públicas.
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Webuild domina a Ligúria: R$ 14 bilhões em grandes obras e novo túnel subportuário
Uma única empresa praticamente redesenha a infraestrutura de uma região inteira. Esta é a realidade da Webuild na Ligúria, um fenômeno quase sem paralelo: o grupo detenha a maioria das grandes obras entre La Spezia e Imperia, com um montante que se aproxima dos 14 bilhões. E há sinais de que novos contratos, com potencial de outros 3 bilhões, podem ainda se somar a esse total.
O capítulo mais recente é a adjudicação do lote B do túnel subportuário de Gênova, obra encomendada pela Autostrade per l'Italia. Originado como uma resposta às consequências do desastre do Morandi, o projeto cresceu em escala e controvérsia. Trata-se de um túnel de 4,2 quilômetros, dos quais 3,4 serão escavados sob o mar do porto, unindo a área atrás da Lanterna à zona da Foce. A túnel mudará a geometria viária da cidade, hoje marcada pela Sopraelevata — construção dos anos 60 frequentemente saturada.
O contrato de escavação ficou com a Webuild (90% diretamente e 10% via controlada Seli Overseas). Os operários com coletes amarelos e capacetes vermelhos e as placas da empresa tornaram-se onipresentes ao longo da costa; fotos do CEO Pietro Salini em inaugurações já fazem parte da paisagem política local, muitas vezes ao lado de representantes do governo, com destaque para Matteo Salvini em eventos públicos.
A obra provoca divisões: há quem valorize o possível alívio do tráfego entre Levante e Ponente; há quem critique a priorização de mega projetos de mobilidade em detrimento de necessidades urgentes, como hospitais, universidades e transporte público. Outra questão prática é a fonte de financiamento: embora tenha nascido como uma resposta privada ao acidente do Morandi, o custo efetivo tende a recair sobre o Estado e, possivelmente, sobre os usuários, caso seja adotada a cobrança de pedágio.
O túnel soma-se à longa lista de intervenções já associadas à presença da Webuild na região. Entre elas, o controvertido Terzo Valico ferroviário, alvo de críticas por sua utilidade relativa, pelo impacto dos canteiros nos bairros do Ponente e pelo custo: dos 4,5 bilhões inicialmente estimados o valor disparou para cifras próximas de 10,5 bilhões, conforme o levantamento de obras e revisões orçamentárias.
Ao lado do Terzo Valico, figuram também obras como o novo Ponte de Gênova e intervenções estruturais costeiras — citadas em debates públicos como Diga ou trabalhos portuários — que reforçam a impressão de presença quase total da fundada companhia italiana na vida infrastructural da Ligúria.
Do ponto de vista jornalístico, a concentração de grandes obras nas mãos de um único ator impõe perguntas objetivas que exigem apuração rigorosa: quais foram os critérios de adjudicação; como evoluíram os custos reais em comparação com as previsões originais; que mecanismos de fiscalização pública atuam sobre prazos e ambientes; e até que ponto a priorização desses megaprojetos atende ao interesse público em detrimento de investimentos sociais imediatos.
O perfil desta presença — contratos de alto valor, visibilidade política e controvérsias técnicas — pede cruzamento de fontes, consulta a documentos de licitação e acompanhamento in loco dos efeitos nos bairros e no tráfego. Em suma, o quadro que emerge é de uma região onde a engenharia pesada reconfigura o espaço urbano e o debate sobre prioridades públicas continua aberto.
Fatos brutos, números e decisões administrativas constituem o núcleo desta reportagem. Seguiremos a apuração para mapear como os próximos bilhões serão distribuídos e quais serão as repercussões para a vida cotidiana dos cidadãos da Ligúria.