Achille Lauro celebra 'Comuni immortali' na Fontana di Trevi e mira projeto internacional
Achille Lauro celebra 'Comuni immortali' na Fontana di Trevi, revela planos para o mercado internacional e fala sobre perdoar o pai.
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Achille Lauro celebra 'Comuni immortali' na Fontana di Trevi e mira projeto internacional
Por Chiara Lombardi — Em uma noite que parecia roteiro filmado em Cinema Paradiso, Achille Lauro reuniu um grupo seleto de fãs à beira da Fontana di Trevi para celebrar a reedição do seu último álbum, agora intitulado Comuni immortali. O encontro, em formato íntimo — piano, voz e violão — foi menos um espetáculo de egotrip e mais um gesto simbólico: o álbum "é o disco que me mudou a vida", disse ele, como quem revela o ponto de virada de uma carreira que se recusa a ser apenas rótulo.
A nova edição de Comuni mortali, renomeada e enriquecida com três faixas inéditas, funciona como um reframe do repertório do artista: um eco que dá novo valor ao material anterior, transformando-o em algo com maior durabilidade cultural do que a efemeridade típica do hit. Lauro insiste que a equipe com quem trabalha está construindo "nosso gênero e nosso mundo" sem olhar apenas para números — ainda que os números existam: mais de meio milhão de ingressos vendidos em um ano e os primeiros três estádios previstos já para junho, com turnês planejadas também para 2027.
Num tom que mistura ambição e método, Achille Lauro se descreve frequentemente como empresário: "a minha força é ter criado uma sociedade que parte das nossas ideias e não do que nos chega". É essa estrutura, diz, que permite pensar em horizontes de cinco a dez anos, preparar o salto internacional e negociar parcerias com inteligência. A meta imediata é clara — levar a música para além das fronteiras italianas: "minha equipe está pronta para o salto internacional, temos as cartas para isso. Estamos trabalhando em traduções e, em maio, sai o primeiro projeto importante com o exterior".
Por trás do artista performático, há também movimentos de conciliação e afeto. Questionado sobre a relação com o pai, Lauro confessou que aprendeu a compreender e a perdoar — uma curva íntima que, segundo ele, dialoga com a própria produção artística: "a música também cura". Esse tipo de insight posiciona seu trabalho como um espelho do tempo, onde a obra pop funciona como terapia coletiva e catálogo de memórias.
Além do êxito musical, Lauro não esconde outros desejos criativos: ambiciona dirigir uma operação cinematográfica relevante — "escrevo muitas coisas que poderiam ser transpostas" — e já está em conversas com produtores. No campo das colaborações, o cantor revela ter construído um laço humano sólido com Antonello Venditti, com quem planeja uma versão conjunta de "Che tesoro che sei"; sonha, inclusive, com uma participação no Estádio Olímpico, dependendo, naturalmente, da disponibilidade do veterano. Também há diálogo artístico com Massimiliano Pani, filho de Mina, numa possível parceria que ambos avaliam com cuidado.
O que fica, além das manchetes, é a imagem de um artista que opera na interseção entre espetáculo e estratégia — um criador que compreende a semiótica do viral e, ao mesmo tempo, quer compor algo que resista ao tempo. Achille Lauro não apenas escala palcos: ele redesenha o mapa de uma carreira que quer ser lida tanto local quanto globalmente, com a confiança de quem sabe que um bom refrão pode ser ponte entre culturas.