Achille Lauro: da música à moda, um roteiro estético e social aos 35

Achille Lauro, aos 35, fala sobre moda, música, família e projetos sociais: estética, origem e responsabilidade em um novo capítulo da sua carreira.

Achille Lauro: da música à moda, um roteiro estético e social aos 35

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Achille Lauro: da música à moda, um roteiro estético e social aos 35

Por Chiara Lombardi — Aos 35 anos, Achille Lauro desenha para si um futuro que mistura palco, estética e responsabilidade. Em entrevista à revista que sai em 26 de março, o cantor romano abre o roteiro íntimo de quem transformou a trajetória de rua em projeto artístico multifacetado: “Sou alguém que cometeu muitos erros na vida e fui muito afortunado”, confessa com a calma de quem mapeou os próprios desassossegos.

O artista fala sem máscaras sobre ambição e método. “Sou muito ambicioso. Quero ser a coisa mais grande que já aconteceu”, diz entre risos, e em seguida explica a vontade de expandir a sua linguagem para além da canção: “Quero trabalhar na moda, criar um mundo estético. Com Alessandro Michele, um grande amigo, fizemos aquele Sanremo famoso. Eu venho da rua, que é onde a moda nasce. Já desenhei algumas coisas, mas sairei quando for o momento, quando tiver algo forte nas mãos. As coisas acontecem quando devem.”

Há um princípio que volta em suas falas: a ideia de preservar origem. “É muito importante não dispersar a origem, lembrar quem somos. Conservar o fogo. Ter clara a meta. O sucesso não é só talento: é insistência, obstinação e método. É trabalho, obsessão.” Lauro descreve a música como sua rota inabalável — uma bússola que o mantém fiel ao ato de escrever: “Escrever é fotografar o momento, e cada momento é novo. Sou dez pessoas diferentes no mesmo dia; converso com todas.”

Há também a faceta do controle: “Tenho a mania do controle. Deve estar sempre tudo bem feito. É um ofício que não deixa tempo.” E quando a pergunta toca a vida privada — amor, filhos, família — a resposta é ponderada e quase um manifesto sobre compromisso: “Claro que há sempre espaço para o amor, mas criar uma família é outra coisa. Viver junto não pode ser sentar à mesa e não se dizer nada, se tratar mal, mentir, trair. Para construir algo duradouro, precisa-se estar disposto a isso. Eu cresci com a ideia de proteger minha mãe; sempre procurei fazê-lo. Ser pai é uma imensa responsabilidade. Há tempo para isso. Primeiro tenho de arrumar a mim mesmo.”

Ao mesmo tempo, Lauro celebra o que chama de família ampliada — um clã numeroso: “Minha mãe tem cinco irmãs; tenho muitos primos e sobrinhos, entre eles o filho do meu irmão. Quando nos juntamos somos realmente muitos. Gosto de organizar momentos para ficarmos juntos. Uma casa para todos.” A imagem evoca uma cena cinematográfica — o agregado familiar como set de memória e resistência.

Sobre o presente global, marcado por guerras e incertezas, o cantor é direto: sua geração também cresceu perdida nos telefones e em ansiedades. “Também trabalhei para mim, para a minha felicidade, para chegar aonde queria. Mas o que se semeia volta. Não é verdade que não podemos fazer nada pelos outros. Talvez não por todos, mas certamente por alguém. Isso me foi ensinado pelo exemplo de minha mãe.”

Esse princípio o levou a investir em ações concretas: Lauro fala de sua atuação na fundação e dos projetos sociais, entre os quais uma casa de apoio em Zagarolo para jovens frágeis que saem do cárcere ou da dependência química. “Me parece a coisa mais bonita. Recentemente, uma das meninas que ajudamos conseguiu sair de um período muito difícil e até foi de férias — pequenos gestos que transformam.”

Ao fim, a narrativa de Achille Lauro soa como um reframe: não apenas o artista que busca ser ícone estético, mas também o homem que olha para a própria origem e para o impacto que pode gerar. É o eco cultural de um tempo em que fama e compromisso social se entrelaçam — o espetáculo que se faz espelho do nosso tempo e a responsabilidade que vem com a luz do holofote.