Amadeus admite fracasso no Nove e projeta novo capítulo entre Amici, Sanremo e possíveis retornos
Amadeus admite que a experiência no Nove não deu certo, confirma participação em Amici e comenta Sanremo, Fiorello e futuro profissional.
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Amadeus admite fracasso no Nove e projeta novo capítulo entre Amici, Sanremo e possíveis retornos
Por Chiara Lombardi — Em um relato franco que soa como um corte de cena revelador, Amadeus faz um balanço público da fase mais recente da sua trajetória televisiva. Em entrevista ao semanário italiano 'Chi', o apresentador descreve o encerramento antecipado do contrato com a Warner Bros Discovery, rescindido em junho, e assume: a experiência no canal Nove "não funcionou".
Para quem acompanha o roteiro mediático, o depoimento tem a força de um espelho do nosso tempo: um protagonista que tenta reencontrar público e lugar num cenário em transformação. Amadeus afirma que, apesar das boas intenções e do encontro com o CEO Alessandro Araimo — descrito como uma pessoa cortês e visionária que sonhava um "terceiro polo" — a convergência não aconteceu. "Com o público do Nove eramos como dois binários paralelos que não se incrociano mai", diz ele, numa imagem que remete à semiótica do ganha-perde entre programa e audiência.
O apresentador não se limita a avaliar o fracasso: faz também um diagnóstico íntimo. Confessa que talvez seja mais adequado à televisão generalista, e que, por temperamento, prefere experimentar a novidade a repetir fórmulas. "Não tenho ansia da novidade. Às vezes tenho a ansia da repetitività", afirma, traçando o perfil de quem busca o reframe da própria carreira.
No horizonte imediato, Amadeus confirma sua participação em Amici como 'commissario tecnico'. Lembra que quando Maria De Filippi lhe propôs ser jurado, pensou seriamente, atraído pela experiência inédita. Ressalta o respeito pelos jovens concorrentes: "Penso que ao posto de um deles poderiam estar i miei figli". Maria, segundo ele, dá-lhe 'casa' e liberdade — elementos decisivos para aceitar projetos que o façam sentir-se bem.
Sobre Sanremo, o tradicional palco que ajudou a moldar sua imagem, Amadeus comenta a nova condução de Stefano De Martino. Não foi procurado para dar conselhos, mas afirma que não seriam necessários: De Martino é jovem e cercou-se de uma equipe experiente. "Sanremo è un discorso a parte — ognuno deve farlo come sente", observa, lembrando que cada condutor imprime seu próprio modo de fazer televisão.
O laço com Fiorello não é esquecido. Amadeus admite que o duo 'Amarello' permanece uma possibilidade e que, com Rosario, "vai ovunque". E quanto a um eventual regresso à Rai, não exclui nada: estará em Amici até maio e, a partir de junho, avaliará propostas e projetos, mantendo-se aberto a diferentes roteiros profissionais.
Fechando o capítulo sobre percepções externas, comenta com surpresa a declaração de Pier Silvio Berlusconi, que manifestou abertura para trabalhar com ele no futuro. Amadeus se diz surpreso e lisonjeado pela consideração. Em tom de quem conhece a dramaturgia dos palcos e bastidores, prefere agora observar as cenas subsequentes e escolher, com cuidado, o próximo acto.
Essa entrevista funciona como um refrão reflexivo: a passagem de um personagem público que aprende com o insucesso e transforma a incerteza em possibilidade. À moda de um roteiro europeu bem escrito, Amadeus reaparece não apenas como apresentador, mas como um indicador do estado atual da televisão e da cultura mediática, convidando-nos a olhar além do espetáculo — para o porquê e para os próximos capítulos.

