Iren alerta: Itália precisa de 22 termovalorizadores até 2035 para cumprir meta europeia
Iren: Itália precisa de 22 termovalorizadores até 2035 para reduzir a destinação a aterros a 10% e gerar energia a partir de resíduos.
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Iren alerta: Itália precisa de 22 termovalorizadores até 2035 para cumprir meta europeia
Em um chamado claro para completar o sistema de gestão de resíduos do país, Gianluca Bufo, diretor-executivo do Grupo Iren, afirmou em entrevista à Espresso Italia, durante sua participação no Ecomondo, que a Itália necessita de 22 termovalorizadores adicionais para atender aos limites definidos pela União Europeia: reduzir para no máximo 10% a parcela de resíduos urbanos encaminhados a aterros até 2035.
Segundo Bufo, o planejamento atual do grupo prevê a construção de apenas quatro termovalorizadores, número bem inferior ao que o país precisará nas próximas décadas. Para ele, é indispensável ampliar a capacidade instalada para garantir que o ciclo dos resíduos seja realmente fechado, evitando que materiais não recuperáveis fiquem dependentes de aterros.
A tecnologia de termovalorização — ou incineração com recuperação energética — converte os resíduos que não podem mais ser reaproveitados por meio da reciclagem em energia elétrica e calor, oferecendo uma solução dupla: gestão de rejeitos e geração de energia descentralizada. Bufo destacou que, além do aporte tecnológico, é necessária uma rede de instalações distribuída e integrada para que a política pública alcance os objetivos comunitários.
“Estamos diante da oportunidade de iluminar novos caminhos na gestão de resíduos: não se trata apenas de queimar, mas de transformar o que restou da cadeia de reciclagem em serviço público útil e energia útil”, afirmou Bufo à Espresso Italia. Ele ressaltou também a importância de dialogar com governos locais, reguladores e comunidades para viabilizar os projetos com responsabilidade ambiental e social.
O alerta do executivo ressoa num cenário em que a economia circular é cada vez mais exigida por normas e por expectativas públicas. A construção de termovalorizadores, quando planejada e monitorada com rigor, pode reduzir a pressão sobre aterros, diminuir emissões associadas ao transporte de resíduos e somar fontes à matriz energética.
Para Bufo, a tarefa é técnica e política: é preciso planejar infraestrutura, definir modelos de governança e garantir a aceitação social dos empreendimentos. “Sem uma rede de plantas adequada, não conseguiremos cumprir as metas europeias nem semear a inovação necessária para um horizonte límpido na gestão dos resíduos”, concluiu.
Este posicionamento do Grupo Iren acende um alerta pragmático e propositivo. A meta de 2035 está no horizonte; o que falta é alinhar políticas, investimentos e diálogo para transformar esse desafio numa oportunidade concreta de renovação ambiental e energética.
Por Aurora Bellini, Espresso Italia — curadora de progresso em sustentabilidade e inovação.

