Fratoianni exige imposto sobre grandes fortunas; Boschi levanta dúvidas sobre eficácia
Fratoianni defende imposto sobre grandes fortunas; Boschi expressa dúvidas sobre fuga de capitais e eficácia das medidas. Debate na assembleia da CGIL.
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Fratoianni exige imposto sobre grandes fortunas; Boschi levanta dúvidas sobre eficácia
Em novo embate público, Nicola Fratoianni, líder da Alleanza Verdi Sinistra (AVS), e Maria Elena Boschi, de Italia Viva, protagonizaram um troca-troca direto sobre a proposta de criar um imposto sobre grandes fortunas — a chamada patrimoniale — durante a assembleia programática da CGIL. O confronto reflete diferenças estratégicas dentro do campo de centro-esquerda sobre como enfrentar as crescentes desigualdades sociais e financiar políticas públicas.
Fratoianni foi taxativo: “Nós pedimos um imposto sobre as grandes riquezas, deverá haver”. Para o líder da AVS, a introdução do tributo não é uma opção retórica, mas uma necessidade política moral e prática. “Não é que a pedimos; deverá existir porque é justo que exista uma política de redistribuição diante de desigualdades insuportáveis que continuam a crescer sem parar”, afirmou ao chegar à assembleia da CGIL. Em sua visão, a arrecadação proveniente da tributação das grandes fortunas é um dos alicerces necessários para financiar as medidas sociais acordadas entre as forças progressistas.
Fratoianni insistiu que a redistribuição deve ser prioridade para quem quer apresentar uma alternativa à direita. “Depois discutimos as fórmulas, os instrumentos. Somos laicos e abertos, mas o objetivo da redistribuição deve constar no programa. Para fazer muitas das coisas em que já concordamos são necessários recursos”, explicou, evocando a imagem da construção de direitos como uma obra que exige financiamento e planejamento.
Do outro lado, Maria Elena Boschi expressou reservas: “Como Riccardo Magi, eu tenho algumas dúvidas”. Boschi apontou para o risco de deslocamento de capitais: segundo ela, os patrimônios maiores são mais fáceis de mover, e se os ativos saírem do país, o Estado perde também a base de tributação atual. “Então vamos refletir sobre quais são os instrumentos mais eficazes”, afirmou, sugerindo cautela para evitar efeitos adversos indesejados.
A réplica de Fratoianni foi imediata e crítica: “Essa história de que 'eles escapam' não é verdadeira, vamos refletir. Precisamos ter coragem, caso contrário corremos o risco de não conseguir desta vez também”. A troca evidencia um debate central: como conciliar justiça fiscal e proteção contra fuga de capitais, sem descuidar da urgência de financiar políticas sociais.
No pano de fundo, Fratoianni destacou o processo de construção programática com as demais forças do centro-esquerda: “Discutiremos para escrever o programa com todas as forças representadas no Parlamento. Mais do que focar em quem se senta à mesa é sadio pensar em quem se levantará junto com um programa comum para atravessar o país”. A metáfora remete à ideia de edificar um projeto coletivo, onde o peso da caneta e o peso das decisões públicas sustentam os novos alicerces da lei social.
Como repórter atento às consequências práticas das decisões de Roma para a vida cotidiana — para cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes — é preciso observar que o debate não é apenas teórico. Trata-se de decidir como será dividida a carga fiscal, quais instrumentos técnico-jurídicos serão usados, e como proteger a arrecadação sem abrir brechas para a evasão. Derrubar barreiras burocráticas e propor mecanismos eficazes são passos complementares à vontade política de distribuir melhor recursos.
O confronto entre Fratoianni e Boschi, na CGIL, marca portanto um momento de definição no campo progressista: a escolha entre uma pronta afirmação de princípios de redistribuição ou uma busca cautelosa por instrumentos que evitem efeitos colaterais econômicos. A arquitetura do voto e a construção de um programa comum dependem de como esse diferencial será resolvido nas próximas negociações.

