Em Roma, os olhos antigos do Fayum encaram-nos: a exposição dos rostos do Egito romano no Ara Pacis

No Ara Pacis, Roma exibe mais de 110 retratos do Fayum: olhares do Egito romano que atravessam dois mil anos. Uma imersão sensorial e histórica.

Em Roma, os olhos antigos do Fayum encaram-nos: a exposição dos rostos do Egito romano no Ara Pacis

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Em Roma, os olhos antigos do Fayum encaram-nos: a exposição dos rostos do Egito romano no Ara Pacis

Por Erica Santini — Ciao, viajante de alma curiosa. Quando pensamos em voltar no tempo, raramente imaginamos ser observados com tanto cuidado. É exatamente essa sensação — íntima e surpreendente — que nos espera a Roma: a partir de 5 de novembro, o Ara Pacis abre as portas a uma mostra que convida a saborear a história através de olhares pintados há mais de dois mil anos. Andiamo.

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Os célebres volti del Fayum chegam à capital em toda a sua nitidez, reunindo mais de 110 peças — entre tábuas pintadas, sudários, máscaras funerárias, mármores, moldes em gesso e joias antigas — que funcionam como janelas para vidas que parecem sussurrar através do tempo. Estes retratos, muitas vezes usados como máscaras funerárias, não são meras imagens: são presenças, com a luz e a sombra dos olhos a contar histórias de afetos, estatus e rituais no Egitto romano.

O caráter extraordinário da mostra fica claro quando pensamos que existem menos de mil desses retratos espalhados pelo mundo — e Roma recebeu cerca de cinquenta exemplares. Um gesto de rara generosidade: o Egito autorizou a saída quase total das tábuas conservadas em seus acervos, muitas delas nunca antes exibidas fora do país. Entre as obras destacadas está o célebre Tondo dei Due Fratelli, um dos pináculos da pintura antiga, recentemente restaurado no Egito por estudiosos italianos — um diálogo, simbólico e real, entre duas tradições de cuidado pelo patrimônio.

Outros préstimos vêm de museus internacionais: do Louvre chegam raríssimos sudários de linho pintados; do Getty Museum, o retrato de Isidora; e ainda há peças vindas do Metropolitan. Cada objeto é uma nota numa partitura que narra encontros culturais, rotas comerciais e práticas funerárias de uma sociedade onde o helenismo e a tradição egípcia se entrelaçaram.

Convido você a imaginar — com todos os sentidos — o perfume seco do papiro e do linho, a textura do tempo nas tábuas de madeira, a luz dourada que revela e esconde as pálpebras pintadas. É um tipo de dolce far niente intelectual: permanecer diante de um rosto até sentir o seu caráter, a sua história, como se estivéssemos diante de um velho amigo que nos reconhece.

Para quem ama a cidade e suas surpresas, visitar a exposição no Ara Pacis é também uma oportunidade de recontar Roma através de olhares que vieram de longe e aqui encontraram nova morada. Le obras não são apenas relíquias; são conversas possíveis entre o presente e o passado, entre o visitante e aqueles que, através de uma pincelada, desafiam o esquecimento.

Se planeja visitar, recomendo chegar com calma, permitir-se pausas e fechar os olhos por instantes após cada retrato — pratique o olhar, a respiração e deixe que cada imagem lhe ofereça um fragmento de intimidade antiga. Buon viaggio dentro da arte.

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