Serplulimab mostra ganho numérico de sobrevida em carcinoma pulmonar de pequenas células no estudo Astride
Estudo Astride: serplulimab em Es‑SCLC mostra ganho numérico de sobrevida versus atezolizumab; dados apresentados no ESMO 2026.
RESUMO ✦
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Serplulimab mostra ganho numérico de sobrevida em carcinoma pulmonar de pequenas células no estudo Astride
Giulliano Martini - Em apuração direta dos dados apresentados no congresso Esmo 2026, Henlius Biotech Inc. e Accord Healthcare UK divulgaram os resultados do estudo Astride, um ensaio randomizado, aberto e de natureza descritiva realizado nos Estados Unidos em adultos com carcinoma pulmonar de pequenas células em estádio avançado (extenso, Es‑SCLC). A apresentação ocorreu em Madrid, durante o encontro científico realizado entre 23 e 27 de outubro de 2026.
O estudo foi desenhado especificamente para comparar a eficácia e a segurança do anticorpo monoclonal anti‑PD‑1 serplulimab em associação com quimioterapia frente ao tratamento de referência à base de atezolizumab, com o objetivo de fornecer dados adicionais solicitados pela FDA e mais representativos da prática clínica ocidental. O levantamento suplementa e visa apoiar a interpretação dos resultados do estudo de fase 3 Astrum‑005.
Na população global avaliada, a mediana de sobrevivência global (OS) apontou 12,39 meses para o braço com serplulimab (n=101) contra 10,15 meses no braço com atezolizumab (n=100), uma diferença numérica de 2,24 meses. A mediana de sobrevivência livre de progressão (PFS), avaliada por comitê independente, foi de 5,36 meses com serplulimab frente a 4,93 meses com atezolizumab. As taxas de resposta objetiva (ORR) ficaram próximas entre os braços: 65,7% para serplulimab e 67,0% para atezolizumab. A duração mediana da resposta foi de 4,21 meses e 4,04 meses, respectivamente.
Em um recorte pré‑especificado — pacientes que não haviam recebido quimioterapia antes da randomização e que iniciaram concomitantemente a imunoterapia e a quimioterapia — a mediana de OS foi de 13,37 meses no braço com serplulimab (n=82) versus 10,85 meses no braço com atezolizumab (n=76), representando uma diferença numérica de 2,52 meses.
O perfil de tolerabilidade foi avaliado em 99 pacientes tratados com serplulimab mais quimioterapia, comparados a 100 pacientes tratados com atezolizumab em associação com quimioterapia. O comunicado oficial dos patrocinadores descreve a avaliação de segurança, sem detalhar integralmente neste sumário todas as taxas e categorias de eventos adversos; a natureza descritiva do estudo e o tamanho amostral impõem cautela na interpretação dos sinais de segurança.
“O carcinoma pulmonar de pequenas células é um tumor maligno de alta agressividade”, declarou Silvia Novello, diretora da SCU de Oncologia Médica do AOU San Luigi Gonzaga e professora de Oncologia Médica da Universidade de Turim. Segundo Novello, o subtipo corresponde a cerca de 15% dos casos de câncer de pulmão na Itália, com mais de 6.000 novos diagnósticos por ano. Até 70–80% dos pacientes já apresentam doença em estádio extenso ao diagnóstico, frequentemente com metástases cerebrais, hepáticas, suprarrenais e ósseas, razão pela qual a estratégia de tratamento deve priorizar abordagens sistêmicas.
Os resultados do Astride apontam para uma vantagem numérica na sobrevivência global a favor de serplulimab em comparação ao padrão de referência em uma população americana, embora o desenho do estudo — aberto e de caráter descritivo — e o tamanho das coortes limitem inferências causais definitivas. As companhias patrocinadoras e especialistas presentes no Esmo ressaltaram a necessidade de análises adicionais e o acompanhamento dos desfechos de segurança e eficácia ao longo do tempo para consolidar qualquer mudança no paradigma terapêutico do Es‑SCLC.
Relatórios completos com análise estatística detalhada e dados de segurança ampliados permanecem aguardados para avaliação por órgãos reguladores e pela comunidade científica.

