Descoberto em Palermo um segundo carro cerimonial de Pompeia: tesouro em bronze no Salinas
Descoberto no Museo Salinas em Palermo um segundo carro cerimonial de Pompeia, com ornamentos em bronze e ferragens do I século d.C.
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Descoberto em Palermo um segundo carro cerimonial de Pompeia: tesouro em bronze no Salinas
Por Erica Santini, Espresso Italia — Ciao, viajante dos sentidos. Em uma daquelas surpresas que fazem o coração bater como sinos de uma praça italiana, renasceu no Museo Salinas de Palermo um precioso carro cerimoniale do I século d.C., proveniente da Casa di Sallustio em Pompeia. Não é apenas uma peça: é um suspiro do passado, couro e metal que contam histórias de pompa, rituais e movimentos pausados entre o pó vulcânico.
Entre fragmentos guardados nos depósitos do museu, uma equipe de pesquisadores reuniu elementos em bronzo e ferro — decorações geométricas e vegetais gravadas, finimenti que adornavam os cavalos e grandes cerchioni de rodas em ferro que suportavam a cassa lignea. O resultado dessa meticulosa recomposição é um exemplar que os estudiosos descrevem como um “gêmeo”, embora menos completo e menos suntuoso, do famoso carro encontrado em 2021 nos escavos de Civita Giuliana.
A descoberta ganhou vida graças a uma investigação paciente e apaixonada. Laura D'Esposito, funcionária arqueóloga do MiC e colaboradora do Salinas, conta que a reconstrução "foi uma aventura": um trabalho de encaixes, hipóteses e confrontos entre vestígios de metal que, afinal, revelaram a silhueta de um pilentum. O diretor do museu siciliano, Giuseppe Parello, e figuras de referência como o arqueólogo Massimo Osanna — hoje à frente do Dipartimento di Attività Culturali do MiC — e o diretor de Pompeia, Gabriel Zuchtriegel, celebram a descoberta por expandir nosso olhar sobre os veículos cerimoniais romanos.
Ver este pilentum é como provar um vinho antigo: ao toque do olhar percebemos camadas de textura, o brilho apagado do bronzo que resistiu ao tempo, e o perfil das rodas que sustentavam uma cassa construída em madeira. Mesmo incompleto, o carro reconta usos sociais e simbólicos — um instrumento de representação, cortejos e talvez de rituais íntimos. É, sobretudo, um convite ao Dolce Far Niente arqueológico: parar e escutar o silêncio que o objeto traz.
Para Palermo, o reaparecimento do carro é um presente que conecta Il Bel Paese de norte a sul, do Vesúvio às ilhas do Mediterrâneo. Para os especialistas, amplia o repertório de formas e ornamentos na Itália antiga, mostrando variações e – quem sabe – oficinas que criavam esses veículos. Para nós, curiosos e sonhadores, resta a imagem sensorial: o cheiro da poeira, o som amortecido das rodas, a luz cálida das salas do Salinas iluminando o bronze.
Andiamo: esta peça, que por enquanto repousa no museu para estudos e preservação, promete novas leituras e um espetáculo para visitantes que buscam a intimidade com o passado. Seguiremos atentos às próximas etapas da investigação e às possíveis exposições públicas, para que possamos, juntos, saborear a história materializada em metal e madeira.
Créditos: pesquisa e recomposição realizadas por equipe do Museo Salinas em colaboração com o MiC; declarações de Giuseppe Parello, Massimo Osanna, Gabriel Zuchtriegel e Laura D'Esposito.

