Amanda Lear em Belve: Dalí impotente, Bowie 'me dava um pouco de nojo' e memórias que são um espelho do nosso tempo
Amanda Lear revela segredos em Belve: Dalí impotente, Bowie e um ménage que reflete a memória cultural europeia.
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Amanda Lear em Belve: Dalí impotente, Bowie 'me dava um pouco de nojo' e memórias que são um espelho do nosso tempo
Volta à grade da Rai2 o programa cult Belve, idealizado e apresentado por Francesca Fagnani, que chega à sua sétima temporada. A estreia ocorre em primeira serata, às terças-feiras às 21h20, a partir de 7 de abril. No episódio de abertura, ao lado das atrizes Micaela Ramazzotti e Zeudi Di Palma, a convidada principal é a icônica Amanda Lear, numa entrevista que mistura humor, confissão e observações sobre arte, sexualidade e memória.
Em um diálogo que parece reencenar o roteiro oculto de uma biografia europeia, Amanda Lear revisita episódios que atravessam décadas: a convivência com Salvador Dalí e sua mulher Gala, o relacionamento com David Bowie — e o luto vivido após a morte do marido, Alain Philippe, vítima de um incêndio doméstico. Lear não esconde a ambiguidade que sempre acompanhou sua carreira e revela, com franqueza cortante, como seu próprio personaggio muitas vezes foi ao mesmo tempo trampolim e cárcere: "Às vezes eu odiava essa Amanda: aquele personagem foi uma gaiola".
No centro da entrevista, a discussão sobre amores transgressores ganha contornos socioculturais. Lear confessa preferências e dinâmicas emocionais: “Tive relações com rapazes lindos heterossexuais, mas depois me aborreço. Com um gay é diferente. Sempre me divirto. Adoro os homossexuais”. A artista também conta a dor da perda: "Alain Philippe foi o homem que eu mais amei" e confirma que ele era bissexual.
Ao tratar do período com Dalí, Lear abre uma porta para lembranças inéditas e ambivalentes. O relacionamento de convivência com o pintor e Gala durou 16 anos e tem cenas que soam como um filme de vanguarda: Gala, segundo Lear, recebeu-a "como uma filha" e parecia disposta a compiacê-lo. Sobre o ménage à trois, a revelação que derruba mitos: “Havia sexo, Dalí era impotente”, diz Lear, que acrescenta ter sido apresentada a belos companheiros por Dalí — ele ficava satisfeito ao saber que ela era feliz com um belo rapaz e dias depois a questionava sobre como tinha sido.
Quando a conversa se volta para David Bowie, o tom mistura ironia e observação estética: Lear descreve o músico como “tudo branco, muito magro, cabelos vermelhos, sem sobrancelhas…” e não poupa a própria reação: “Bowie me fazia um pouco de nojo” (em italiano: "Faceva un po' schifo"). A cantora relembra ainda a dinâmica aberta do casal de Bowie com Angie — que teria explicado a Lear que era tranquila com a relação aberta.
Mais do que um relato de bastidores, a aparição de Amanda Lear em Belve funciona como um espelho do nosso tempo: as negociações entre imagem pública e intimidade, os rituais de fama na Europa das últimas décadas e a semiótica do desejo que atravessa gêneros e convenções. A entrevista, conduzida por Francesca Fagnani, não se limita ao choque; procura mapear o impacto emocional e cultural dessas vivências, convidando o público a pensar sobre como narramos nossas próprias vidas quando o mundo nos olha como espetáculo.
Não perca a estreia da temporada na Rai2, dia 7 de abril às 21h20.