Amanda Lear revela segredos com Dalí e Bowie: “Sem sexo com Dalí; meu marido era bissexual”

Amanda Lear detalha relação com Dalí, declara que ele era impotente, fala de Bowie e revela que o marido Alain Philippe era bissexual.

Amanda Lear revela segredos com Dalí e Bowie: “Sem sexo com Dalí; meu marido era bissexual”

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Amanda Lear revela segredos com Dalí e Bowie: “Sem sexo com Dalí; meu marido era bissexual”

Em uma conversa que parece saída de um roteiro de cinema subterrâneo, Amanda Lear abriu-se na estreia da sétima temporada de Belve, conduzida por Francesca Fagnani, para mapear afetos, desejos e tragédias. A artista falou, sem rodeios, sobre o longo convívio com Salvador Dalí, a relação com David Bowie, experiências com LSD e o luto pelo marido morto em um incêndio.

Ao reconstituir os anos em que viveu na órbita de Dalí e de sua mulher, Gala, Lear descreve um arranjo íntimo que muitos imaginariam libertino: “Mas não havia sexo, Dalí era impotente”, afirmou. Ela conta que Gala a recebeu como uma filha, cedendo espaço ao marido: “Minha presença parecia agradá-los; ele precisava de mim e ela se compadecia”. A anfitriã do programa pergunta, então, se se tratou de um ménage à trois e a resposta, mordaz e franca, desmonta expectativas de romantismo carnal.

O relato segue com anedotas que misturam admiração estética e desconforto. Sobre David Bowie, Lear confessa desdém: “Não me agradava muito. Tudo muito branco, magérrimo, cabelos vermelhos, sem sobrancelhas… fazia um pouco de nojo”. A excentricidade do artista, porém, não impediu a afeição — ou a curiosidade — do período em que se relacionaram por cerca de dois anos. Lear lembra também da naturalidade com que a então esposa de Bowie, Angie, aceitava o arranjo: “Ela me disse: vá com meu marido, está tudo bem”.

Em posição de observadora que transforma lembranças em análise cultural, Lear comenta sobre suas preferências afetivas: “Tive relações com rapazes heterossexuais muito bonitos, mas depois me canso. Com um gay é diferente; me divirto sempre. Adoro os homossexuais”, confessou, sinalizando a maneira como desejo e representação se entrelaçam no seu universo.

O tom da entrevista muda quando ela fala do amor mais profundo de sua vida, Alain Philippe, morto tragicamente num incêndio doméstico. Lear chama Alain de “o homem que mais amei” e revela que ele era bissexual, acrescentando uma camada de complexidade íntima aos seus anos de convívio. A confidência sobre o marido traz à tona não apenas a dor pessoal, mas também questões sobre identidade e memória afetiva.

Como uma cineasta que recorta cenas para entender um personagem, Amanda Lear transforma episódios privados em uma narrativa pública que interroga o que é normal, aceitável e espetacular na vida das figuras iconográficas do século XX. A entrevista em Belve funciona como um espelho do nosso tempo: esmalta o passado com nuances provocativas e convida a pensar o roteiro oculto das relações entre arte, fama e desejo.

Data da entrevista: temporada 7 de Belve, episódio de estreia apresentado por Francesca Fagnani.